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2005
2006
2007
2008
2009
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13.12.08 Voyeur
Project View sem apoios.
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Rodrigo Vilhena tenta
sensibilizar artistas e galeristas com uma petição.
Há mais de um século que os artistas procuram pôr em causa as estruturas
de afirmação e consagração. É uma "luta" pela autoridade. Nos
últimos anos vemos recrudescer propostas alternativas aos espaços
institucionais. O Voyeur Project View, em Lisboa, é um deles e, apesar da notoriedade
que conquistou, corre sérios riscos. O seu financiador, uma fundação a
braços com problemas graves a curto prazo, vai suspender o apoio.
Rodrigo Vilhena, artista que o criou e assume como a sua própria obra,
procura nesta altura sensibilizar artistas e galeristas e instituições com
uma petição. (...)
Pensa o Voyeur Project
View como a sua própria obra artística. Em que medida? É uma
contestação?
Este é um projecto
independente. Noutros países, aliás, estas iniciativas têm apoios de
diversas proveniências, mas em Portugal isso não acontece. É um projecto
de arte colaborativa, orientado por um artista que convida ou aceita
projectos que mostra. (...)
Mas há uma atitude
politica, engagée, de ruptura com o sistema expositivo instituído?
Sim, há!
Em que medida isso é uma
proposta artística e não uma proposta curatorial?
É ambas as coisas. É
curatorial, mas também a proposta de um artista. A intenção é provocar
uma ruptura em relação à predominância do sistema, já incutido nos
jovens artistas e criar algo de novo. Em vários países há muitas galerias
alternativas para os artistas exporem e apresentarem propostas inovadoras
que não são exequíveis em galerias, centros culturais ou fundações.
Considera este projecto a
sua obra artística?
Considero, Claro!
Ao artista que vai expor
é-lhe apresentada uma proposta ou ele desenvolve um projecto apenas em
função do espaço?
Eu não proponho nada. Os
artistas já conhecem o Voyeur. Há artistas que eu nunca vi e apresentam
uma proposta por e-mail, por exemplo. Reunimos e, se o projecto vale a pena
e é pertinente, avança-se, conheça ou não o seu autor. Pretende-se
mostrar o que não está visto em Portugal e mesmo no estrangeiro. As
próximas exposições são já pós-imagem (...)
Nesse projecto, qual é a
importância do público?
(...) Em Portugal não há
público. Estou ao pé das Belas-Artes e o que me aparece aqui são
estrangeiros. Jovens artistas e estudantes nem sequer vêm ver. Faz
impressão.
Nuno Cunha in NS´Diário de
Notícias
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04.12.08 Paula
Prates
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A
monocularidade imposta pelo peep-hole tem consequências directas ao
nível do cálculo das distâncias e da profundidade de campo. Habituado a
regular-se pela visão estereoscópica, o cérebro humano perde as referências
da tridimensionalidade, promovendo uma laminação do espaço apercebido. A
intervenção que Paula Prates propõe para o Voyeur Project View assume
precisamente o jogo entre o espaço e a limitação da visualidade que lhe
está associada, ao transpor para o âmbito da escultura o anverso de uma
estratégia própria dos suportes bidimensionais. A ilusão da
tridimensionalidade na pintura e no desenho compreende-se enquanto estratégia
de reconhecimento e de aproximação a um real familiar. Mas o que dizer de
uma forma tridimensional cujas contingências da sua percepção fazem com
que se comporte como um holograma? A forma no espaço impõe-se como imagem
no espaço – o objecto vive como uma aparência de si mesmo, da sua própria
tridimensionalidade, iludindo-nos na assunção platónica das distâncias
entre ideia, cópia e simulacro. Há, com efeito, uma espécie de humildade
nesta estrutura que se delineia luminosamente no espaço como se fosse um
simples esboço da sua própria forma. Estratégia catártica de simplificação?
Estratificação entre forma, espaço e percepção? Falácia dos sentidos?
Talvez o caminho seja apontado pelos desenhos expostos na sala contígua.
Nestes desenhos a perspectiva é clara, também ela sem pontos de vista múltiplos.
Permanece porém uma certa desorientação. As formas do desenho
multiplicam-se de modo ora estilhaçado, ora gnómico, parecendo querer
transbordar de forma impetuosa os limites da sua superfície, atingindo-nos
e integrando-nos na imagem caleidoscópica de geometrias variáveis. Entre a
minúcia destes desenhos a grafite e a lhanura da forma que habita o espaço,
o encontro dá-se numa organicidade oculta por detrás do traçado que as
estrutura e que estabelece um núcleo de coerência relativamente aos
anteriores trabalhos de Paula Prates,baseados na desconstrução digital de
imagens de órgãos humanos. Aqui, tal carácter orgânico exterioriza-se na
pulsão de vida que parece animar qualquer uma das composições. Nas obras
bidimensionais, exterioriza-se pelo cunho dinâmico,
expansivo, das formas que avançam para nós; na estrutura tridimensional,
exterioriza-se pela modelação lumínica articulada entre o branco das
arestas e a luz negra que com elas convive no espaço – em ambos os casos
há uma florescência do desenho que o torna trama viva.
Ana
Ferreira
Maio de 2008
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04.12.08
Anonymous Workers
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"Anonymous
Workers", tal como o nome indica é uma exposição colectiva de
autores anónimos. O ponto de partida para a sua concepção foi o convite
feito a vários artistas para trabalharem sobre pequenos filmes retirados da
Internet. Os filmes deviam ter cariz erótico e serem constituídos por
actores e realizadores desconhecidos. Os artistas intervenientes trabalharam
os vídeos através da manipulação da imagem, realizando novas montagens
ou inserindo novos sons sobre os "clips". A exposição apresenta
um conjunto diverso de vídeos, no qual o espectador constrói o seu
percurso numa viagem erótica ao século XX.
De acordo com o dicionário,
"autor" é sinónimo de "causa principal de" e palavra
de "autoridade". Por isso, remete para aquele que tem uma conduta
ética respeitável. É um bom-nome, mas ao longo da história pode
encontrar-se diversos trabalhos publicados anonimamente ou através de um
pseudónimo para evitar a descoberta do seu autor legítimo. Estas publicações
contêm material erótico ou politico de natureza controversa. Estes
trabalhos artísticos anónimos, ou de criadores desconhecidos servem para
proteger os criadores de possíveis prossecuções e para proteger as suas
reputações como criadores credíveis.
Anónimo
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04.12.08 Paulo
Nisa
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Procurando
tirar partido das especificidades do espaço em que é exibida, a instalação
consiste na convivência de duas projecções em paredes opostas.
Estas projecções relacionam-se entre si em termos de semelhança e de
diferença, consistindo ambas, à partida, num plano fixo idêntico, captado
no mesmo décor e repetindo-se ainda a posição de câmara e o
enquadramento, editadas posteriormente em loop.
Numa
das projecções, correspondente à parede esquerda, pode ver-se um cadeirão
vazio, não decorrendo qualquer acção.
Na
outra projecção, correspondente à parede direita, uma mulher entra em
campo e circula pelo espaço até finalmente se sentar e recostar nesse
cadeirão. Daí mantém um diálogo com alguém que se encontra em off,
diálogo inaudível, uma vez que a instalação não tem qualquer som.
Depois de algumas "falas", um homem entra igualmente em campo e
acaba por se ajoelhar diante dela. Os dois beijam-se, após o que se
levantam e afastam, saindo de campo e deixando o cadeirão de novo vazio.
Deste
modo, ambas as projecções coincidem ciclicamente uma com a outra, nos
momentos em que nem a mulher nem o homem estão em campo na projecção da
parede da direita, vendo-se em ambas apenas o cadeirão vazio. Ao recomeçar
o loop e a acção a diferença entre as duas é mais uma vez
evidenciada.
Esta
diferença baseia-se num sentido de contradição fundamental. A convivência
num mesmo espaço de duas representações incompatíveis do mesmo décor
(o cadeirão vazio e o mesmo cadeirão como elemento de uma acção dinâmica)
provoca uma tensão figurativa, ou pré-narrativa, que por sua vez promove
uma reavaliação daquilo que é visível.
Em relação com a imagem do cadeirão vazio, que lhe é aparentemente
contemporânea (pela semelhança de condições de captação e pela
simultaneidade simétrica de exibição), a cena dos amantes parece perder o
seu valor de evidência, puramente visual, para dar lugar a dúvidas
relativas ao seu estatuto documental.
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01.12.08
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O Voyeur Project View, um
projecto de Rodrigo Vilhena, apresenta uma exposição de Paula Prates
composta por uma instalação concebida especificamente para o espaço e
dois desenhos a grafite, apenas visíveis através de um peep-hole. A
intervenção que a artista propõe, segundo o texto de apresentação de
Ana Ferreira, "...assume precisamente o jogo entre o espaço e a
limitação da visualidade que lhe está associada, ao transpor para o
âmbito da escultura o anverso de uma estratégia própria dos suportes
bidimensionais."
Anabela Becho in Agenda
Cultural
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05.11.08
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Para uma nova Poética
Só há pouco tempo tive oportunidade
de contactar com o projecto das actividades de José Carlos Teixeira, um
trabalho de natureza transdisciplinar, um modo de juntar o que parece
antagónico, a aproximação da imagem em movimento, os meios performativos
e o seu registo entre dimensões psicológicas, antropológicas, poéticas.
José Carlos Teixeira, que outros terão conhecido no seu percurso de
várias linhas de pensamento e de resposta a um problemático sentido contemporâneo,
explica-se um pouco através da sua formação e produção. Depois de ter
estudado em Nova Iorque, no Bilbao Arte e na Universidade do País Basco, em
Bilbau, José Carlos Teixeira, que obticvera em 2001 a licenciatura em Artes
Plásticas pela Faculdade de Belas-Artes, da Universidade do Porto,
completou em 2006 o seu Mestrado (Master of Fine Arts) em Interdisciplinary
Studio na Universidade da Califórnia, Los Angeles.
(...)
Rocha de Sousa in Jornal de
Letras
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05.11.08
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Em Construção
(...) Numa linha que envolve
presença, acto e instalação, Miguelangelo Veiga parece, um pouco como já
vimos com o espaço conceptual de José Carlos Teixeira, desejar querer
questionar se tais dados bastam para desenvolver outras noções sobre o
real ou ausência dele. Na proposta relativa ao que pudemos observar sobre a
construção tridimensional, em que o autor se apoia é crível que ele
sublinhe a sequinte equação: "A percepção do vazio só se torna
possível quando este deixa de existir". Isto é igualmente decisivo na
nossa gestão quotidiana do espaço. Há anos, visitando as áreas de uma
casa de arrendamento, tivemos a percepção clara de que a chamada sala de
estar e refeições era desproporcionalmente grande em comparação com os
outros compartimentos. Pode dizer-se que se trata de uma percepção
primária sobre o espaço vazio. Mas ao longo dos anos, não muitos, esse
vazio tornou-se memória e o real apenas garantido pela opacidade das
acumulações. "A criação de uma estrutura não torna possível a
percepção do vazio que ocupa, torna possível a ocupação do vazio que o contorna".
Esta não é uma simples questão plástica. É um ponto de partida para
estudar em simulação uma grande variedade de problemas comportamentais e
vivenciais.
Rocha de Sousa in Jornal de
Letras
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05.11.08
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Patrícia
(...) Em Ana Rito uma
personagem performativa explora um espaço aberto, com limites em efeito de
moldura, apesar de o lugar se envolver como uma janela. E janela é, com
efeito. A personagem procura chegar a um ponte de pose, inclusa
harmoniosamente naquela moldura vazia, tornando-se animação vital do
espaço e verdade plástica, fotográfica, entre transitoriedades. A artista
"relaciona o corpo aprisionado com o acto do voyeurismo, porque, além
do mais, se nos dá a ver." Um acto assim, apesar de apoiado no olhar,
é também acontecimento fruível "fora do nosso espaço de
acção". Indica, antes, o uso inusitado de uma "janela
aberta". A figura curvada nesse limite torna-se tema e assunto
principal de um vazio passageiro.
Rocha de Sousa in Jornal de
Letras
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30.10.08
José Carlos Teixeira
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“José
Carlos Teixeira
trabalha sobre temas globais de identidade mantendo, propositada e
provocatoriamente indefinidas as fronteiras entre os géneros artístico e
documental. Faz o remake, em versão
nacional, de uma peça que desenvolveu em torno do Hino Americano.
Aproximamo-nos de uma versão de A
Portuguesa a partir da interpretação, entendimento, (dis)torsão sobre
ela exercida por membros das comunidades de imigrantes africanos que ensaiam
cantá-la introduzindo nas palavras e ritmos, significados literais e
emotivos, razões de outras identidades e temporalidades. As
palavras comuns de Antero, Pessoa e José Gil, escritas para serem lidas em
livro mas também discutidas em tertúlias públicas (germén de acções cívicas
e políticas) recentram intelectualmente (sem contextualizarem
ilustrativamente) o vídeo.”
João PINHARANDA Setembro 2008
O
que acontece num processo de reconciliação? Na tentativa de reencontro com
uma identidade primeira, com uma nação, uma língua, um ritmo, ou uma
paisagem? O que ocorre no jogo de auto-reflexão crítica, de dimensão
performativa, irónica mas inocente, desconstruída? De vozes múltiplas que
se adicionam às do próprio? O que sucede quando corremos, literalmente, na
procura de um lugar, na vã idealização de uma casa, ou de uma origem? Num
desterro estrutural, porque always
moving, always chasing, always displacing?
Tais
são as questões que o artista se propõe nesta peça a três vozes
levantar. Os limites territoriais e os espaços psicológicos. Os caminhos,
as linhas de vários horizontes. O exercício é afinal para se ver de fora
e ouvir por dentro.
E
depois? O que permanece, então, depois do conflito interno entre pertencer
e não pertencer? Da fabricação de distintos egos, das itinerâncias e
nomadismos do ser? Habitando o intervalo entre documento e ficção, a mim
cabe apenas desafiar, dialogar, propor, questionar, arriscar.
“(...)
Quiçás seja demasiado rápido e demasiado horrível para reconhecê-lo,
mas o paradigma dos “eus” e
lugares nómadas pode ser uma visão glamorosa do carácter enganador que é,
de facto, a retoma da ideologia da “liberdade de escolha” – de
escolher esquecer, de escolher reinventar, de escolher ficcionar, de
escolher “pertencer” a algum lugar, a todos e a nenhum”.
Miwon
KWON, One
Place After Another
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30.10.08
Miguelangelo Veiga
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A percepção do vazio só se
torna possível quando este deixa de existir.
A criação de uma estrutura não torna possível a percepção do vazio que
ocupa, torna possível a ocupação do vazio que contorna.
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30.10.08
Ana Rito
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Depois
do anterior projecto apresentado no voyeurprojectview, “Interlude –
Black Draft”, Ana Rito propõe um novo vídeo e uma peça fotográfica.
Neste
novo momento de intervenção, agora num novo espaço, a artista relaciona o
corpo aprisionado com o acto do voyeurismo.
Mas
este acto do “voyeur”, apesar de de sustentar no acto de olhar um
acontecimento que se encontra “fora do nosso espaço de acção”,
perscruta, antes, um momento que simula uma possível “janela aberta”,
onde a figura tem como principal lema ser personagem principal.
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01.10.08
In partnership with the
Lisbon-based Voyeur Project View gallery, da gallery -the digital art
gallery at the London South Bank University- will be transformed into a
digital peepshow for two weeks from September 25th.
Today peep show is mostly associated with the entertainment industry, but
the beginnings of the peep show mechanism can be traced back to the work of
Leon Battista Alberti (1437) and Filippo Brunelleschi (1418-20), Renaissance
painters that started using the device of a box with an “eye” to present
miniature scenes painted and /or built in perspective, as well as to Martin
Engelbrecht (1730), author of peepshow miniature theatres for children, and
Edison (1896), who launched the kinetoscope peep show, the first machine to
bridge photography, film and peep show.
The project, an initiative of
Rodrigo Vilhena with Paula Roush and the participants in the Photographic
Art project of the Digital Photography program at the London South Bank
University, is developed with a focus on screen-based work engaging with the
themes of voyeurism, peep show, surveillance, and the gaze. Whilst the
exhibition in the Voyeur Project View in Lisbon is shown in a series of
display mechanisms purposefully built to simulate a peepshow effect, the
exhibition in the da gallery in London will screen the video works as a
running program.
http://digitalphotographyblog.wordpress.com/category/exhibition/
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24.09.08
"Voyeur Project View"
Rocha de Sousa in Jornal de
Letras
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18.09.08
Francisco Queirós
There is a crak in everthing
That´s how the light gets in ...
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18.09.08
The Peep Show Exhibition
Os Peep Shows são espaços onde se exibe filmes pornográficos, ou
apresenta-se ao vivo um show erótico em cabines destinados ao consumo de
pornografia, utilizando por vezes um aparelho de moedas para cobrar o
visionamento. Se na
contemporaneidade os usos da palavra Peep
Show têm conotação sexual. Encontramos o princípio rudimentar do peep
show no trabalho de Leon Battista
Alberti como Filippo Brunelleschi
no século XV. O Peep
Show consiste de uma caixa com um “olho”, no qual o observador vê
uma cena em miniatura, pintada ou construída em perspectiva. Por
vezes chamado Rarre-show foi inicialmente uma curiosidade científica. Desde da
Renascença até ao século XIX podemos encontrar diversos modelos.
As Passagens Parisienses
(1780 e 1860) de outrora e os Centros Comerciais espalhados pelo mundo, são
lugares onde o público se torna voyeur, observando as vitrinas que
apresentam objectos de desejo, muitos deles impossíveis de alcançar. O público
espera que as montras retirem as suas “cortinas” e apresentem as novas
colecções. The Red Light District em Amesterdão onde se passeia o turismo
voyeurista pelas intermináveis montras que fecham a cortina quando o prazer
sexual vai ser usufruído. A celebre pintura “A Origem do Mundo” (1866)
de Courbet que era mantida
escondida, para ser vista ocasionalmente por um voyeur. O Kaiserpanorama
(1851) também chamado Fotoplastikon
e o Cinetoscópio (1889) de Edison
são aparelhos nos quais o público se torna voyeur para aceder a uma ilusão
da realidade. Estes exemplos de algum modo retratam a sociedade voyeuristica
na qual todos nós participamos, mas também se tornam uma forma de
entretenimento.
The
Peep Show Exhibition é uma exposição colectiva de jovens artistas
europeus: Helene Ohman, Jasmine Blatt,
Kate Anthony, Thomas Evans, Karel Polt, Alastair Sanchez, Daniel Neves, MJ
Gumayagay, Sindy Pússa, Aga Wierzbicka, Georgi Manolov, Paul Lincoln e Shea Rico.
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18.09.08
Rodrigo Vilhena
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Estes dois
trabalhos inscrevem-se num projecto de uma arte não convencional que ganha
terreno dentro da cultura. É possível destacar a valorização do processo
de criação – work in progress – em relação com a forma
acabada da obra.
Os
procedimentos tecnológicos, caso das redes de comunicação como a internet,
a fusão entre áreas diversas, trocas de conhecimentos e experiências, vão
configurando uma nova realidade, inter e transdisciplinar, fazendo com que a
própria linguagem possa incluir e mobilizar sentidos que antes eram
estanques em áreas autónomas.
Ambas
as géneses dos dois work in progress: “Condição
Humana” (2002/2005) e “Solaris” (2004/2007)
radicam num conjunto de trabalhos realizados no passado. “Condição
Humana” entre 1986 / 2001, “Solaris” entre 1990 / 1999.
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22.08.08
Rodrigo Oliveira expõe no
Voyeur Project View, em Lisboa, até ao final do mês, projecto de
investigação em colaboração com Maria Teresa Silva, realizado em Berlim
em Março de 2003. Este projecto teve apoio de um funfo de investigação
que permitiu redescobrir e reconstruir parte do trabalho do artista alemão
de origem polaca Moritz Sandernick, cuja a obra foi parcialmente destruída
pelo próprio artista antes e durante as perseguições nazis.
Edgar Martins
in
IN´ / Diário de Noticias
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17.07.08
Rodrigo
Oliveira
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“Rebuilding
Swarm Houses or the container for the Self de Moritz Sandernick”
Projecto de investigação de
Rodrigo Oliveira em colaboração com Maria Teresa Silva, realizado em
Berlim em Março de 2003.
Em busca do Impensável e do desconhecido...
Este projecto foi possível graças a um fundo de investigação que
permitiu redescobrir e reconstituir parte do trabalho de artista Alemão de
origem Polaca Moritz Sandernick (nascido em 1914 desaparecido em 1961), cuja
obra foi parcialmente destruída pelo próprio artista antes e durante as
perseguições nazis, existindo pouca ou nenhuma informação documental
sobre a sua obra.
Durante muito tempo no seu atelier Berlinense em Rosenthaler Platz
experimentou e projectou vários tipos de instalação que só nos chegaram
até nós devido a relatos de familiares, imagens de arquivo muito escassas
que estavam na posse de familiares e uma notícia de jornal que
depreciativamente falava no seu trabalho como “arte degenerada”.
Este artista esquecido pela história da arte internacional devido ao seu
temperamento e a razões políticas contextuais, desenvolveu um trabalho
pioneiro naquilo que mais tarde
se viria a chamar de land art, envoiremental art, desenvolvido
enquanto corrente na década de 60.
O pouco que se sabe sobre o seu trabalho artístico…remete para uma prática
experimentalista que desconstruía objectos quotidianos ou formas depuradas
com valores percentuais muito próximo daquilo que hoje se conhece como uma
abordagem minimalista. Além dos seus trabalhos apresentarem uma rigidez
formal e uma interacção relacional com o espectador, invulgar para a época,
assentavam sobre uma poética ou ideologia social e politica, sem nunca
descodificar os conceitos implícitos nas suas peças. Em
Swarm houses, aplica (ou é
aplicada) uma lógica de colmeias assentes num ideal de organização
sociedade e de trabalho próximos do progresso e de construção da cidade
de uma hierarquia e ordem social, uma obra complexa e vasta de sentidos
curiosamente assentes também na mitologia grega.
Não se sabe muito sobre a sua vida, em 1960 desapareceu após um longo período
de exilo.
Este projecto visou sobretudo, reconstituir e documentar Swarm houses or
a container for the self á escala real para que mais informação
chegasse até nós.
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31.06.08
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Mónica de Miranda apresenta
na Voyeur Project View, em Lisboa, o vídeo “A1 Tuning” até 13 de Julho
e Joana Consiglieri expõe, também neste espaço, “Old Man Traveling:
Animal Tranquility and Decay”, até 17 de Julho (data em que se conclui
igualmente a intervenção de António Nuno Júnior).
http://www.e-vai.net
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21.06.08
A obra de António Nuno Júnior
tem as suas raízes imediatas na prática cinematográfica muito embora os
resultados finais das suas investigações se encontrem um pouco para lá do
que comummente é tido como “cinema”. O problema não reside,
manifestamente, na natureza da sua pesquisa particular mas antes nas
expectativas que se têm quando se considera, ainda hoje, essa prática como
decorrente de uma história disciplinar canonizada e completamente identificável.
De facto, o que é particularmente notável em toda a obra de ANJ, e mais
ainda quando considerada como corpus, é a consciência do posicionamento
histórico que nela encontramos. Esta consciência não passa directamente
pela matéria de discurso mas antes pelas características do discurso ele
próprio, rigoroso e complexo exercício de colocação de problemas, que
cruza géneros e limites representacionais.
http://www.e-vai.net
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21.06.08
Perplexidade do público que não
existe
"Uma
possível razão para que os meus trabalhos provoquem alguma perplexidade no
público é o facto de, sobretudo os mais recentes, serem constítuidos por
duas partes: a que está lá e a que não está, sendo talvez esta a
determinante. Outra razão é o facto de o público em geral não
existir."
A expressão de António Nuno Júnior refere-se ao seu trabalho no Voyeur
Project View, patente até 17 de Julho (...). O trabalho do artista funde-se
(ou confunde-se) com uma prática cinematográfica, mas no seu caso a obra
reflecte um pensamento que procura ultrapassar os limites do próprio
cinema.
(...)
António Nuno Júnior surpreende-nos com imagens por vezes recorrentes no
nosso quotidiano, com papéis e funções que constroem e projectam uma
realidade que induzem a uma reflexão.
(...) Nuno Cunha in
IN´ / Diário de Notícias
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18.06.08
A caminho do Bairro Alto, paro no Voyeur Project View. Espreitando pelo óculo,
vejo o trabalho de Pedro Saraiva. Entretanto, uma das portas está aberta e
resolvo entrar. Do outro lado encontra-se uma peça de vídeo a
“descobrir” de António Nuno Júnior, um trabalho que recorre a várias
técnicas de apresentação, mas com uma estética muito própria. Demoro-me
um pouco à conversa com o responsável do projecto – Rodrigo Vilhena. Um
projecto que talvez seja dos mais “alternativos” que pude visitar e que
aconselho vivamente. Pedro
dos Reis in Arte
Capital
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12.06.08
Monica de Miranda
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Lançamento do Catálogo: Novas Geografias
"A1 Tuning" é um mapa vídeo concebido num automóvel que
percorre a auto-estrada A1 que liga o sul ao norte do país. Ao mesmo tempo
que o vídeo documenta o trajecto percorrido ao longo do eixo
Norte | Sul, dentro do carro o rádio sintoniza as várias estações de rádios
com as diferentes expressões culturais que existem no espaço urbano das
cidades que vai encontrando. A viagem documenta assim também o
percurso diário de viagem, de identidades móveis de trajectos migratórios
dentro do próprio país. Dentro do carro, durante o registo do percurso, a
viagem será feita com mais quatro viajantes, que são amigos e
familiares da artista, com culturas diversas que descrevem as suas
narrativas de viagens e imigração. O registo das conversas
fará parte da banda sonora do vídeo. Essa sintonia de rádios e conversas
dentro do espaço móvel de viagem, dentro do carro e a selecção
de uma banda sonora define o "outro espaço", o espaço dos
"outros ausentes", a outra realidade, o soundscape: espaço
da comunidade de consumidores no seu todo, onde, por último, se processa a
identificação, ou a experiência de uma identidade musical, enquanto
experiência de uma identidade estética, que remete para a escolha e para o
movimento. Experiência identitária musical em movimento, em constante
transformação, que alude à performance, à história e à estética, no
sentido em que se relaciona com o imaginário, com uma imagem visual. Define
as linhas de desterritorialização - fuga - e de segmentaridade do próprio
processo de identificação. O som aqui esta consequentemente, em
movimento, em diáspora. Esta é uma narrativa móvel, é um processo
de identificação portátil de forma a tornar válida a sua mutação
enquanto metáfora performativa - narrativa da identidade.
Este trabalho faz referência ao impacto da globalização na criação
multidirecional de movimentos de pessoas, culturas e ideias como
resultado das transformações geográficas e culturais
na organização espacial do mundo, de um lugar de locais para um espaço de
fluxos e múltíplos movimentos de pessoas e culturas.
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12.06.08
António
Nuno Júnior
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A segunda parte da exposição de António Nuno Júnior no projecto Voyeur
Project View é, ao contrário da primeira, que tinha características de
retrospectiva antológica, uma série de peças video pensadas em regime site-specific
para o espaço em questão. A partir de uma projecção que se assume como
centro gravitacional do dispositivo (uma pequena ficção fragmentária),
destaca-se um conjunto de derivações periféricas de características
diversas que estabelecem com ele relações quer elípticas, quer
tangenciais, que remetem para um universo micro-paisagístico tenso e de carácter
privado. Estamos, assim, em presença de um sistema multi-nodal que promove
leituras sincrónicas dinâmicas sobre um território marcadamente ficçional.
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12.06.08
Joana
Consiglieri
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Old Man Travelling
Animal
tranquillity and Decay
The little
hedge-row birds,
That peck along the road, regard him not.
He travels on, and in his face, his step,
His gait, is one expression; every limb,
His look and bending figure, all bespeak
A man who does not move with pain, but moves
(…)
O Vento
(…)
Tu corres e voas pelo mundo inteiro
Com bom ou mau tempo, de noite ou de dia.
Tu sobes os rios que descem a montanha
E correm no vale e és indiferente e soberano.
Tua voz é clara, vibrante e alegre
E eu te suplico que não te demores
E as queixas não ouças de quem me quer mal
E sofre o ciúme. Não te arreceies
E vai ao encontro da minha amiga
Que ansiosa aguarda a liberdade.
(…)
La meditation parfait
(…)
Le pétale de L'Est est blanc:
Lorsque l'âme s'y repose
Apparaît une tendance mentale
Accompagnée de dévoluction
Inclienant l'individu vers le bien;
Le pétale du Sud-Est est rouge:
Lorsque l'âme s'y repose
Apparaît une tendance mentale
Vers le sommeil et la pareses;
(…)
Le pétale du sud-ouest est bleu:
Lorsque l'âme s'y repose
Apparaît une tendance mentale
Vers le mal et la cruauté;
(…)
Le pétale du nort-est est de perle:
Lorsquel'âme s'y repose
Apparaît une tendence mentale
Vers la charité et la compassion;
Lorsque l'âme se repose
Aux points de jonction des pétales
Les maladies sont legions
Qui affectent le soufflés, la bile, le mucus;
Mais lorsqu'elle se repose
Au centre même du lótus
Elles acquiert la Connaissance,
Elle sait tout ce que l'on peut savoir,
Elle chante, elle danse,
Elle enseigne, et crée la joie!
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12.05.08
Voyeur Project View no
www.artlooker.com.
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08.05.08
António Nuno Júnior
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“Uma possível razão para que os meus trabalhos provoquem alguma
perplexidade no público em geral é o facto de, sobretudo os mais recentes,
serem constituídos por duas partes: a que está lá e a que não está lá,
sendo talvez esta a determinante. Outra razão é o facto do público em
geral não existir.”
A obra de António Nuno Júnior tem as
suas raízes imediatas na prática cinematográfica muito embora os
resultados finais das suas investigações se encontrem um pouco para lá do
que comummente é tido como “cinema”. O problema não reside,
manifestamente, na natureza da sua pesquisa particular mas antes nas
expectativas que se têm quando se considera, ainda hoje, essa prática como
decorrente de uma história disciplinar canonizada e completamente identificável.
De facto, o que é particularmente notável em toda a obra de ANJ, e mais
ainda quando considerada como corpus, é a consciência do
posicionamento histórico que nela encontramos. Esta consciência não passa
directamente pela matéria de discurso mas antes pelas características do
discurso ele próprio, rigoroso e complexo exercício de colocação de
problemas, que cruza géneros e limites representacionais.
Desde “Macau Farm”, 1997, extenso documentário que alterna entrevistas
a residentes da então colónia portuguesa com uma meditação pessoal sobre
a possibilidade do registo exacto de uma contingência histórica, até aos
trabalhos mais recentes executados a partir do projecto “Singles”,
iniciado em 2004, como “Partigiana”, 2005, ou “Marines”, 2006, que o
percurso de ANJ tem evidenciado uma primordial atenção, na sua diversidade
formal, ao questionamento dos campos que tem atravessado: a possibilidade de
um pós-cinema; a possibilidade de um posicionamento politico-ideológico; a
tensão entre registos públicos e privados.
É sobretudo neste último domínio que a obra de António Nuno Júnior
demonstra maior acuidade. Em “999”, fecho da chamada Trilogia de
Macau e filme fundamental para a apreciação do conjunto da obra até
à data, o espectador é deixado só face a um percurso transversal e
aparentemente aleatório por Macau, Tóquio, Hong Kong, Taipei e Beijing,
que tem o seu início num acontecimento privado – a morte do seu pai – e
culmina num evento público (e histórico) – a cerimónia de transferência
de soberania de Macau. Todo o filme assenta na tensão latente entre a
consciência de uma observação pessoal, privada e, até, críptica, e a
evidência quase exclusiva de espaços urbanos públicos tomados na sua
objectividade física, factual. A resultante deste ‘desencontro’ é uma
obra cuja dimensão abstracizante, mas paradoxal na sua fundação concreta,
a coloca perto da escrita musical contemporânea. E talvez seja esse um dos
lugares mais apropriados para pensar todo o trabalho de António Nuno Júnior.
Elizabeta Stasiukynaite, Independent
Curator
Vilnius, June 2006
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08.05.08
Pedro Saraiva
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gabinete > cambedo
(…) o presente projecto de Pedro
Saraiva, ainda (e talvez permanentemente) em fase de desenvolvimento, passa
pela criação de heterónimos na prática do desenho, isto é, de
personalidades criativas que possuem, no seu interior, uma coerência que
remete para a ideia de identificação e, concomitantemente, de identidade(s)
criativas(s) múltipla(s).
Este procedimento implica uma heurística de entrada múltipla, isto é, uma
metodologia de descoberta e apropriação de tipologias diversas de criação
no campo do desenho que passam, também, pela gestação de procedimentos
que incorporam dissidências internas no processo criativo. Ou seja, a
possibilidade que Pedro Saraiva encontrou de criação no campo do desenho
implica uma multiplicidade de procedimentos, frequentemente tomados a partir
de metodologias específicas que incorporam narrativas. Num certo sentido, há
neste projecto a introdução do desenvolvimento de procedimentos em desenho
a partir de determinadas matérias ficcionais e narrativas que se
corporalizam em estilísticas diversas (portanto, em autenticidades
diferenciadas), o que implica, também, um “fazer do corpo” para cada
uma das metodologias, processos de raízes culturais das várias entidades
que surgem no universo de cada uma das linhas ficcionais desenvolvidas.
Esta forma de compreender a possibilidade do desenho não é, simplesmente,
a da produção de um conhecimento ou de uma prática enciclopédica do
desenho em si mesmo, mas implica o desenvolvimento de uma metodologia de
intra-remissão, ou seja, o estabelecimento de uma complexidade. Quer isto
dizer que o surgimento de personalidades diversas no cumprimento de estratégias,
linhas criativas e estilísticas diferentes entre si propõe uma teia de
relações de que cada uma das partes surge como fragmento (…)
(…) o projecto que Pedro Saraiva apresenta é o desenvolvimento de um mapa
de procedimentos de desenho em linhas eventualmente divergentes, sob a
estrutura de heterónimo, questionando as categorias básicas da ética do
próprio desenho enquanto metodologia, propondo um mapa heteróclito e
inconclusivo das suas práticas. (…)
Delfim Sardo in gabinete > codina
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28.04.08
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Voyeur Project View solo
exhibitions are shown to the public through a peephole in a door that can be
accessed 24 hours a day. This work in progress is a project integrated into
my own artistic practice. It implies partnership as a way of seeing the
space through a group of different artists. It is a studio with special
features. The process of collaboration in each exhibition is an integral
part of the artistic project. In this sense Voyeur Project View is a
laboratory of contemporary art.
http://www.nyartsmagazine.com
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02.04.08
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(...)
A sua última obra para o Voyeur Project View deu polémica. Qual foi a sua
intenção?
Todas as vezes que lá fui, vi sempre o espaço cheio de pessoas,
bebidas, maquinetas e mesas, etc. Quando fui convidado a fazer um projecto
para o local pensei em realizar um vídeo, mas quando fui montá-lo tive o
choque da minha vida. O espaço estava vazio, como eu nunca tinha visto e
considerei-o assombroso. Parecia um salão de interrogatórios da máfia
russa. O chão a cair, as lâmpadas tremelicantes, a luz artificial, um ar
opressivo. Apaixonei-me e pensei que o espaço devia ser visto da forma como
estava. Não mostrei o vídeo porque se há uma coisa que a arte nos ensina
é o supremo exercício da liberdade.
Mesmo assim ainda pendurou um cutelo na parede...
Isso tem a ver com aquele clima opressivo e com a minha ideia de câmara
de tortura. Nada no mundo me faria de exercitar a minha liberdade
independentemente de já ter um vídeo feito para o espaço.
Leu a crítica da Time Out?
Sim, mas não tenho problema nenhum com isso. Não sou nem melhor nem
pior artista por causa daquela crítica.
(...)
Elsa Garcia in Time Out
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01.04.08
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Morna
Por uma coincidência de
datas, o senhor que se seguiu a Julião Sarmento, na programação do Voyeur
Project View, foi Vasco Araújo, o artista nomeado para o Artes Mundi 3.
(...) A instalação Sodade encerrou a programação local do
projecto (que entretanto se mudou para a Travessa do Convento de Jesus,
16-A).
Extrapolando o conceito de peephole, o artista utilizou a porta da
garagem para colar (sentido literal e figurativo) excertos de temas musicais
sobre a saudade escritos por emigrantes cabo-verdianos, num sentimento misto
e apátrida, entre o amor e ódio dos que realizaram os sonhos da vinda para
Portugal e dos que não abandonaram as más condições de vida que os
afastaram de Cabo Verde. Na mesa, instalada na rua, garrafas de espumante,
protegidas por um guarda-sol (e chuva) que a noite prometia, e cumpriu, ser
molhada. Os vizinhos desceram para beber um copo, pelos vistos, a primeira
vez que se atreveram a misturar-se na inauguração para uma despedida em
grande do Bairro das (ex) Colónias, num evento verdadeiramente context
specific. Achei também o apelo das Habitués e estreantes
misturarem-se num magote significativo e tanta heterogeneidade parecia quase
temática. Vendo-me com a máquina fotográfica, várias pessoas perguntaram
se era o artista, mostrando interesse no trabalho (felizes os interessados!)
enquanto denunciavam, quer um total desconhecimento do who is who da
arte quer o facto de se esquecerem de ler o people&arts.
Existirão outras preocupações na vida?
(...)
Nuno Alexandre Ferreira in L+
Arte
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01.04.08
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Cosa Nostra
A garagem já lá estava. Há
pelo menos dois anos e tal que Rodrigo Vilhena desenvolve o Voyeur Project
View numa garagem, onde também tem o atelier. Uma vez que passei por lá
(quem já sabia, sabia, quem não sabia fica a saber), só posso apoiar o
projecto (correcções à parte). Com uma programação peculiar, o Voyer
tornou-se num dos poucos programas independentes que existem em Lisboa com
alguma durabilidade. Feito com apoios limitados e com muita boa vontade,
quer do comissário quer dos artistas, sempre foi marginal, afastado dos
percursos inaugurais e das conversas mainstream; uma quase galeria de
bairro com vizinhos fiéis às espreitadelas em busca das coisas mais
esquisitas que se vão lá fazendo.
A garagem continuou lá e as pessoas começaram a reparar nela. Tornou-se,
primeiro, num objecto curioso, depois num espaço cool. Quando se
soube que Julião Sarmento ia expor no Voyeur, as pessoas pasmaram. Se a
temática voyeuristica poderia ser cara ao artista, a ideia do mesmo
querer expor num local que nada deve ao arrumadinho vigente dos espaços
mais ou menos institucionalizados soava no mínimo, estranha. A exposição
aconteceu, com inauguração no meio do passeio, barril de cerveja e copos
de plástico. O público compareceu e o Voyeur não voltou a ser o mesmo.
Como afirmou Howard S. Becker, no seu Art Worlds, se pensamos que
"a reputação se fundamenta nos trabalhos", o facto é que
"as reputações dos artistas, dos trabalhos" - acrescento as dos
espaços - "resultam da actividade colectiva do mundo da arte."
O Trabalho apresentado por Sarmento não coincidiu com a descrição do press-release,
onde se anunciava um vídeo e se mostrava uma paisagem bucólica. Numa
decisão de última hora, o artista deixou a garagem vazia: uma faca presa
na parede e luz branca sobre o espaço esconso, a simulação de uma sala de
tortura de qualquer máfia. Houve comentários sobre não haver nada (à
boca fechada) e sussurraram-se piadas maldosas sobre o vídeo não ter
ficado pronto. Quem não percebe a vontade de ali expor também não pode
compreender a necessidade e, acima de tudo, a liberdade de experimentação.
Gostei de ver a sala branca como tortura. Lembrei-me da máfia e do
inspector Cattani de O Polvo, atento, a espreitar na porta dos
fundos. Gostei da minha indecisão entre a visão do Daniel Craig a ser
torturado às mãos de Le Chiffre em Casino Royal e a cena de
pancadaria na sauna com Viggo Mortensen em Eastern Promises.
Como refere o texto do press-release, "vemos o que nos
interessa, o que nos inquieta, o que nos desafia, basicamente o que queremos
ver, ou melhor, o que desejamos"
Nuno Alexandre Ferreira in L+Arte
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27.03.08
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http://cabaret-vol-taire.blogspot.com/
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27.03.08
Pedro Bernardo
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Entre
a primeira e a segunda Guerra do Golfo (1991 e 2003) a tecnologia
desenvolveu-se exponencialmente, o que permitiu a RTP ser a primeira a
transmitir o início da guerra através do repórter Carlos Fino. O
desenvolvimento das coberturas mediáticas através das novas tecnologias,
entre as duas guerras, mudou o papel do jornalismo, devido à
instantaneidade com que as informações são veiculadas, sem o devido espaço
para a reflexão. A informação passa a fazer parte da própria guerra,
onde cada uma das partes procura divulgar só a sua verdade, manipulando os
factos. Os líderes mundiais contam com a informação para produzir um novo
real.
Na obra “Simulacros e simulações”
(1981), Baudrillard parte do conceito de McLuhan,
afirmando que a distinção entre mundo real e simulação (ou imagem) foi
implodido. A pós-modernidade é a época das simulações e dos signos
governados pela cibernética, por modelos e por códigos. Passando do mundo
real, para um simulacro que precede o real.
Na primeira Guerra do Golfo (1991), Baudrillard
argumenta que os Estados Unidos e a Coligação conduziram uma guerra
virtual, pois a guerra existiu unicamente no radar e nos ecrãs de televisão.
Apesar da carnificina ocorrida na guerra, o público assistiu apenas a
imagens editadas, manipuladas e transformadas por ambos os lados. O que nós
consideramos como real são simplesmente imagens do real. A noção de
realidade foi a primeira vítima da guerra vídeo, da simulação e da
reportagem censurada."Bem-vindo ao deserto do real!" (Matrix,
1999) pois para todos os efeitos práticos, ele não existe.
Durante a segunda Guerra do Golfo (2003) diariamente vista através dos média,
o real morto segundo Baudrillard, foi declarado vivo, camuflado e aprovado
pelo Pentágono, assistindo a uma reparação do real. Os jornalistas são
instrumentos da própria guerra em curso, apontam a alvos pré-definidos, e
numa visão simulada apresentam novas realidades dirigidas pelo Pentágono.
Os despojos da memória do real são as perspectivas diferentes da guerra
que satisfazem a audiência, se não a obliteram. Tal como o “zapping”,
apesar das perspectivas múltiplas das tropas em acção, o caleidoscópio
visual suplantará qualquer ponto de vista. Repórteres independentes estão
proibidos de entrarem no teatro de guerra e são tratados como verdadeiros
inimigos. “Morte ao Realismo!” ( eXistenZ, 1999) pois se ele está
moribundo, insiste em voltar. O pentágono está actualmente a produzir um
novo real.
Se a RTP foi a primeira a transmitir de Bagdad o início da guerra, através
do repórter Carlos Fino, Pedro Bernardo foi o primeiro a simular o ataque a
Bagdad nas ruas das Caldas da Rainha. A partir do sótão da sua Fundação
(Museu Colecção Bernardo) na Rua Engenheiro Duarte Pacheco, nº 16, Pedro
gravou em vídeo a Festa da Cidade no dia 15 de Maio de 2004. O seu ponto de
vista é crucial, pois têm visão sobre a Câmara Municipal de Caldas da
Rainha, a Praça 25 de Abril e o Hotel Cristal (Ex-Hotel Malhoa), onde se
situam as comemorações da cidade. O local e a sua situação ímpar, a
festa e o fogo de artifício servem para o realizador simular a batalha de
Bagdad, especialmente o ataque negligente dos Estados Unidos ao Hotel
Palestina onde morreram dois jornalistas a 8 de Abril de 2003. O pentágono
bem alertou os jornalistas ao dizerem que estavam por sua conta própria,
o que levou a que se eliminassem os dispositivos de segurança
em torno dos profissionais dos média,
deixando-os muito mais expostos.
Esta produção irónica de um “novo real” exposta no Voyeur Project
View, é a reflexão consciente de um autodidacta, sobre a sua vivência num
mundo contemporâneo ficcionado.
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12.03.08
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http://missdove.blogspot.com
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10.03.08
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http://www.nyartsmagazine.com
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23.02.08
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Vasco Araújo é o novo autor
do Voyeur Project View, em Lisboa, a decorrer desde quinta-feira, com o
titulo Sodade, (...)
A exposição de Vasco Araújo encerra o espaço Voyeur Project View,
projecto que terá continuidade em local a designar, a partir de 27 de
Março, com a exposição de Pedro Bernardo.
Na sua obra, Vasco Araújo tem utilizado a fotografia, a instalação e o
vídeo como suportes de dramatização dos jogos de identidade que
apresenta. Trabalha memórias colectivas, a partir de situações intensas
em narrativas geralmente ficcionadas, por vezes violentas, expressas
através do recurso às linguagens do teatro e da ópera, do uso extremo da
informação, da intensidade, da imagem formal e dos conteúdos.
Sodade fala-nos dos cabo-verdianos que chegam a Lisboa com a esperança de
uma vida melhor, com o tempo tornado desalento, desespero, raiva ou dor.
"
(...)
A sua obra recorre a personagens de um imaginário recriado, num território
onde confronta questões de identidade evidenciadas pelo contraste da
realidade com o espaço ficcionado. O sujeito observador é conduzido numa
narrativa onde passa de observador a observado, de sujeito a objecto.
(...)
Nuno Cunha in Diário de Noticias
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22.02.08
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http://programadefestas.wordpress.com
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21.02.08
Vasco Araújo
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Há
mais de meio século que Lisboa recebe massivamente os cabo- verdianos. A
viagem fazia-se quase sempre a bordo de navios como o Nyassa ou Santa Maria.
Começaram por ser chamados à metrópole para substituir a mão-de-obra
local que tinha emigrado para países como a França e a Alemanha mas depois
do 25 de Abril de 1974 e a Revolução dos Cravos, que acelerou o processo
de independência de Cabo Verde e das colónias portuguesas em África, os
cabo-verdianos passaram a fazer a viagem por conta própria.
Durante
décadas, a capital portuguesa recebeu milhares de crioulos à procura de um
emprego e de uma vida melhor. A cidade ofereceu-lhes trabalho, abriu-lhes
perspectivas. Lisboa tornou-se numa segunda pátria para milhares de cabo-
verdianos mas nem tudo foi um mar de rosas para os emigrantes. Para muitos,
o preço a pagar continua a ser elevado e o sonho de uma vida melhor cedo se
transformou em pesadelo. Esse quadro misto explica em parte a relação que
se estabeleceu ao longo deste longo período entre os cabo-verdianos e a
capital portuguesa, e, de uma forma geral, Portugal. Entre o crioulo e
Lisboa, o amor mistura-se ao ódio, o reconhecimento à raiva, a alegria à
tristeza, a sabura ao ka sabi...
A
instalação "Sodade" quer por si reflectir a interrelação entre
os emigrantes (cabo-verdianos) e os nativos; entre emigrantes e a cidade,
através dos sentimentos patentes nos temas musicais que estes (emigrantes)
escreveram.Uns adoram-na
porque ali concretizaram o sonho crioulo. Outros detestam-na apenas porque não
conseguiram libertar-se das dificuldades e da miséria que pensavam ter
deixado para trás. Um sentimento misto contido nas canções relacionadas
com a capital portuguesa. sublinha a exploração de que é vítima o
emigrante crioulo bem como as suas péssimas condições de vida.
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15.02.08
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Imigração sem elites
A tudo isto acrescente-se
ainda a inauguração, no dia 21, no âmbito do projecto Voyeur Project View,
numa garagem no Bairro das Colónias (Rua de Timor 14-A), da instalação
"Sodade", do artista plástico Vasco Araújo - um olhar sobre
canções de músicos cabo-verdianos que viveram em Portugal e um espelho
que nos reflecte com a imagem de uma imigrante cabo-verdiana, porque
"imigrantes somos todos, basta estar noutro sítio", diz Vasco
Araújo. E faz sentido perquntar: Lisboa é já uma cidade multicultural, em
que os imigrantes, e as suas culturas, entraram na vida cultural? Ou será
imagem forçada? (...)
Alexandra Prado Coelho in
Público
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01.02.08
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"Explorar
o Voyeurismo"
"Coincidente
com a edição de 2005 da Lisboa Photo, e integrado nos programas paralelos,
surgiu um projecto novo chamado Voyeur Project View (VPV) do artista Rodrigo
Vilhena. Situado nos Anjos, numa rua do bairro das ex-colónias, este espaço
tem especificidades particulares. Para além de ser um dos poucos espaços
alternativos em Lisboa, particularmente com um carácter tão experimental,
o VPV está sempre aberto. A única coisa que se tem que fazer é espreitar
pelo postigo na porta de uma garagem. Em determinados projectos a porta
abre-se, mas na maioria das vezes, o contacto com a obra exposta é através
do acto de espreitar. Se á primeira vista este é mais um projecto
expositivo alternativo, em
exactidão a parte de exposição é apenas uma fracção da proposta de
Rodrigo Vilhena. Este é um projecto de artista, integrado na sua prática,
que o entende como a partilha e o pensar de um espaço que é seu por um
grupo muito diversificado de artistas. O VPV não é então um espaço de
comissariado, mas um atelier de artista com características especiais.
Neste sentido, o interior do espaço, assim como todo o processo da elaboração
de cada exposição fazem parte integrantes do projecto. Há a porta, a
garagem, o logradouro e o atelier do artista.
Como o nome
indica, o projecto intenta explorar a condição voyeurística do mundo
contemporâneo. Voyeur é aquele que obtém prazer a olhar ilicitamente para a
privacidade do outro. Frequentemente relacionado com prazer sexual, foi
transportado para dimensões mais vernaculares através da sua exploração
pelo cinema. Hitchcok, por exemplo, utilizou o voyeurismo
não apenas como um dos seus grandes temas, mas inclusive como técnica
cinematográfica. Um dos seus filmes mais paradigmáticos na problematização
desta temática é a “Janela Indiscreta” a qual é construída
inteiramente com base nos princípios do voyeurismo. Actualmente, a propensão
voyeurista é talvez uma das características que melhor define a sociedade
ocidental. Difunde-se pelos meios de comunicação um olhar do mundo que
assenta na invasão da privacidade alheia. Este acto é basilar na construção
das notícias mas também de grande parte da industria de entretenimento.
Acresce ainda o crescente desenvolvimento de tecnologias que permitem cada
vez maior escrutínio das actividades públicas e dos comportamentos
privados.
A arte contemporânea tem explorado estes temas abundantemente. O VPV é
mais um projecto (inédito em Portugal, principalmente com esta
continuidade) dedicado a pensar estes assuntos. A fisionomia dos espaço
expositivo exige o acto de espreitar – o acto individual de espreitar.
Exige a curiosidade para trespassar a propriedade privada. Propõe
transformar os transeuntes em voyeurs,
de receptor passivo a observador activo, estabelecendo uma cumplicidade
entre o artista e o espectador. E propõe também que os artistas reflictam
sobre esta condição e apresentem propostas especificas para este contexto.
(...) O mais recente é da autoria de Julião Sarmento. Todos os projectos são
pensados especificamente para este espaço e contexto.
As paredes da garagem foram deixadas a nu. O espaço está cru, praticamente
vazio. Quando se olha pelo pequeno orifício na porta da garagem,
encontra-se um espaço quase intacto, clinicamente limpo com a excepção de
um cutelo pendurado numa parede. A limpeza e o vazio são de imediato
transformados em metáforas inquietantes. A toda a cultura fílmica e literária,
onde lugares como este são morada de estranhos e perturbadores
acontecimentos, é revisitada. A imaginação fica delirante com a liberdade
que um pequeno objecto oferece, com as inúmeras suspeições e histórias
que imediatamente são arquitectadas. Enquanto projecto artístico é
divertido e engenhoso, enquanto espaço de intervenção num contexto não
artístico (uma simples garagem num bairro habitacional) transforma-se num
pungente exercício sobre vigilância."
Filipa
Oliveira in L+Arte
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30.01.08
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"Voyeur Project View
impõe a curiosidade como mote artístico: espreitar pelo buraco."
"Nunca espreitou pelo buraco
de uma fechadura? Nunca se sentiu tentado em saber o que se passa por
detrás de uma porta? E ao fazê-lo, sentiu alguma espécie de nervosismo ou
excitação? Se a resposta é sim, então parabéns, é um voyeur. E
se gosta de associar esta preferência à arte, há um local ideal para si
em Lisboa chamado Voyeur Project View. E não, não é um peepshow...
Mas afinal o que é um voyeur? Segundo a definição de Charles Gellman e
Gilbert Tordjman, no livro O Homem e o Prazer, o voyeurismo "é
a excitação sexual provocada pela visão de pessoas em geral nuas, ou em
vias de se depirem, ou de praticarem uma actividade sexual. O verdadeiro voyeur
utiliza um intermediário para olhar. Serve-se de binóculos, de buracos de
fechaduras" - ou de um monóculo instalado numa porta de garagem na Rua
de Timor, no Bairro das Colónias dos Anjos. E o que poderá ver o simples
transeunte que aceitar a proposta indiscreta de espreitar por este buraco?
Desde 2005 que o que acontece por detrás desta porta passa por vídeos
eróticos até explorações gráficas e cromáticas ou mesmo exposições
de bioarte, escultura e instalação nem sempre ligados ao corpo ou ao sexo.
E tudo isto pelas mãos de artistas tão diversos como João Pedro vale,
Leonel Moura, Pedro Valdez Cardoso, Catarina Saraiva ou Ana Vidigal.
O Voyeur Project View é um espaço alternativo de exposição. É
desconcertante por se instalar numa antiga garagem de porta fechada que nos
convida a espreitar de forma indiscreta, a desenvolver aquele potencial da
vizinha cusca que todos nós temos gravado nos nossos genes. Só que aqui
há uma desculpa socialmente aceite em prol da cultura artística. Aliás, a
arte há muito se debruça sobre este tema. (...)
No Voyeur Project View o lado sexual ou fetichista do conceito original
acaba por se esbater em outras declinações. "Não se trata apenas
daquele que olha para o objecto de desejo que é proibido mas do individuo
para o qual, no seu dia a dia, ser voyeur é o único modo de vida
possível. No fundo somos todos voyeurs. (...), diz Rodrigo Vilhena."
Miguel de Matos in Time Out
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30.01.08
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"Apesar de secretamente
estimulante, o crime de espreitar o alheio nem sempre compensa. A
instalação que podemos ver até dia 17 no Voyeur Project View é de
Julião Sarmento. Ver e como quem diz, porque ao olhar pelo buraquinho não
se vê nada (o autor divulgou um texto em que explicava que a obra
apresentada seria um vídeo). Está algo desligado, pensei, na ingenuidade
de achar que a arte deverá ser algo susceptível de apreensão. Tal não é
necessáriamente verdade quando de se fala de um nome sem nada a provar. O
que Sarmento fez foi pendurar um cutelo numa das paredes laterais do
espaço. E pronto, está assim composta uma instalação misteriosa que aos
olhos de muitos será uma obra-prima, se conseguirem detectá-la. Fica a
desilusão e a sensação de alguém anda a troçar de nós, pobres voyeurs.
"O que ele fez foi apropriar-se do espaço e jogar com o facto de que
nem sempre o que vemos é o que estamos à espera de de ver", diz
Rodrigo Vilhena, tentando justificar a arte quando ela é invisível. Quem
quiser espreitar algo que valha a pena, que o faça nas instalações
futuras. Até lá, fique-se pela fechadura da porta da vizinha. Será muito
mais interessante."
Miguel Matos in Time Out
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22.01.08
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Entrevista sobre o V.P.V. e a
exposição de Julião Sarmento: Antena 1, 18.00h.
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21.01.08
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Entrevista sobre o V.P.V. e a
exposição patente a Rodrigo Vilhena: Programa "Janela Aberta" em
directo via telefone, 18.00h.
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19.01.08
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http://www.e-vai.net
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18.01.08
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Arte Capital: Julião Sarmento
http://www.artecapital.net/recomendacoes.
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17.01.08
Julião Sarmento
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Voyeurismo
ou o prazer de se ser espectador
Tomemos
como verdade a possibilidade de todo o acto de ver
encerrar em si, necessariamente, um acto voyeur,
na medida em que entendemos aqui o acto de ver
como diferente do acto de olhar.
Vemos o que nos interessa, o que nos inquieta, o que nos desafia,
basicamente o que queremos ver, ou melhor, o que desejamos.
Neste
encontro entre o sujeito que vê e o objecto que é visto está
necessariamente implicada uma relação de poder (difícil de atribuir ou
identificar, uma vez que o prazer/ poder do sujeito que vê, depende
intrinsecamente do poder inerente ao objecto desejado).
Quando
no número 14 - A, da Rua de Timor em Lisboa, somos convidados a ver, à vez
e individualmente, uma determinada obra de arte através de um peephole,
somos justamente convidados a assumir essa nossa condição de voyeurs.
Tomemos
agora também como verdade a possibilidade de podermos encerrar em nós
nesse momento, e simultaneamente, uma dupla condição à qual associamos
imediatamente um duplo poder: sujeito que deseja e simultaneamente objecto
de desejo.
No
mesmo momento, e pelos restantes espectadores que aguardam a possibilidade
de poderem assumir o seu papel de voyeurs,
somos vistos a ver.
O
vídeo Voyeur decorre durante
aproximadamente 14 minutos. Nele assistimos à convocação dessa ideia de
circularidade implicada na dupla condição de se ser, por um lado voyeur
e por outro objecto, reforçada aqui pela presença de uma realidade
aparentemente linear de onde surgem, à vez, curtos momentos em que a
escolha do ponto de vista (uns binóculos por detrás de uma janela) e as
constantes aproximações e recuos em relação ao objecto, convocam a nossa
memória cinematográfica, e nos colocam obrigatoriamente no interior da
obra, tornando-nos, por isso, espectadores duplamente voyeurs.
Ana
Anacleto
Novembro
2007
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