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LEONEL MOURA
24.11.05/08.01.06


HIV 03 
45 x 45 cm, acrílico sobre acetato - 2005

HIV 04
45 x 45 cm, acrílico sobre acetato - 2005



HIV 02 
45 x 45 cm, acrílico sobre acetato - 2005



HIV 01  
45 x 45 cm, acrílico sobre acetato - 2005

HIV 02
45 x 45 cm, acrílico sobre acetato - 2005





Desde 1999 tenho-me dedicado à realização de um novo tipo de arte, baseada na utilização das mais recentes tecnologias, em particular no domínio da inteligência e da vida artificial. Em 2000 produzi, em colaboração com o investigador Vitorino Ramos, uma escultura gerada autonomamente por uma forma de vida artificial, conhecida pelo nome científico de ant system; em 2001 surgiram as primeiras pinturas que intitulei de ‘não-humanas’, realizadas por um braço robótico comandado igualmente por uma forma de vida artificial; e já em 2004, após um projecto de investigação e colaboração com engenheiros de robótica que durou três anos, apresentei os robots pintores, capazes de produzir com total autonomia pinturas e desenhos. 
Neste processo, para além dos aspectos directamente científicos que não são desprezíveis, pois trata-se da primeira vez em que a robótica autónoma e colectiva e as teorias do caos e da complexidade são aplicadas à realização da arte, fica clara a intenção de abrir o território artístico a uma outra abordagem do fenómeno estético, assente numa nova relação entre homem e máquina. 
Em particular os robots pintores levantam questões críticas sobre a ideia de arte e, ainda mais profundamente, sobre o carácter antropocêntrico da quase totalidade das noções correntes de cultura. Naturalmente que a percepção desta realidade e seu alcance conceptual e prático, obriga a um entendimento profundo do que realmente se passa na emergência destas formas, geradas por máquinas inteligentes e dotadas de uma ‘vontade’ de concretização estética. Afinal os robots pintores vivem para a sua pintura, utilizando mecanismos de apreciação formal, através de sensores, não muito distintos daqueles que qualquer forma de vida natural utiliza na realização das suas tarefas mais elementares. A necessidade de contribuir para este entendimento profundo, sem o qual, estas acções e respectivas obras de arte, se resumem a uma mera provocação vanguardista, implica assim uma alteração de atitude da minha parte, derivando da de produtor directo de obras, para a de construtor de ideias e situações de ruptura com os conceitos dominantes a começar pelos da prática artística corrente.

É neste contexto que encaro a minha participação no projecto “Voyeur”.

Leonel Moura 
6 de Dezembro de 2004