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ANTÓNIO NUNO JÚNIOR
12.05.05/12.06.05




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A MINHA PORNOGRAFIA, CARO SENHOR,  É IGUAL À DE TODA A GENTE
(Exactamente ao contrário da electricidade do capitão Nemo de Júlio Verne)

As imagens que constituem a série “sem título” são extraídas, na sua íntegra, do universo de produção e distribuição da indústria pornográfica e aquilo que imediatamente as distingue da sua origem é o facto de não pertencerem a indústria nenhuma. O contexto verificável da sua existência não contempla qualquer trânsito instituído de valor, ou destinos estratégicos a alcançar. São objectos e, de resto, tão objectos quanto os inequivocamente porno  - representam as mesmas matérias, utilizam os mesmos suportes. Relevam da mesma matriz genética mas possuem uma deficiência congénita: são asistémicos, o que (entre outros efeitos anómalos) os impede de falar a mesma língua da sua progenitura. Temos assim conjuntos de objectos fenotipicamente idênticos aos que lhes deram origem, mas caracteristicamente disfuncionais. Esta anomalia é, note-se, algo de intrínseco aos objectos em causa (i.e, não resulta de uma descontextualização voluntária das suas funções originais sejam elas económicas, sociais ou psicológicas) e possui como causa imediata a natureza metodológica da sua génese: ao verem remetido para um off  indeterminado o seu punctum funcional, ao mesmo tempo que sofrem (literalmente) um processo de pictorialização, estas imagens passam a índices materiais de uma hipótese metapoética em construção – a de que a pornografia na sua estrita dimensão icónica não possui qualquer característica distintiva relativamente aos demais campos representacionais. Ou seja, tudo o que diferencia o porno  do resto tem tudo a ver com o resto e nada a ver com o porno.

António Nuno Júnior