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Blow-Up (1966) vs. Rear Window  (1954)
Michelangelo Antonioni  vs. Alfred Hitchcock 

EN
“Rear Window” (1954) is a study about voyeurism and the obsessive curiosity of the human being, based on a history of Cornell Woolrich and directed by the master of suspense, Alfred Hitchcock.

The history of the movie generates an intense situation of suspense that grows throughout the film, L.B. Jefferies (James Stewart) represents much more than a simple character. He is a photographer, accustomed to have a surgical eye. Confined to his apartment due to an accident that left him immobilized in a wheel chair, he has from the window of his apartment an ample field of vision of the everyday life of the neighbour’s apartments. The impossibility to intervene (spectator) and the deep relation with the history (in such a way for the photographer, and for the real spectator) makes of this film an analogy of the relationship between the public and the film.
During his innocent voyeuristic vigilance something strange happens in the apartment of a neighbour and no matter how hard he tells the event to his girlfriend Lisa Carol Fremont (Grace Kelly) she does not believe in something so incredible. Did L.B. Jefferies really witnessed a murder, or was just his imagination?

“Blow-Up” (1966) from the director Michelangelo Antonioni exhibits and examines the nature of the reality through the photographer, as well as the nature of the human perception. The “Principle of the Uncertainty” (1927) of Werner Heisenberg affirmed that it is impossible to specify and determine, simultaneously and with absolute precision the position and the velocity of a particle, because the act of measure disturbs, until certain point, the phenomenon. Beginning with this assumption, Antonioni shows that the event, observed is modified by the mere presence of the observer. The observation is never a neutral or abstract process. The adjacent principle of the “Blow Up” narrative is that no phenomenon is pure, because when human emotions enter the game, the guilt, the obsession and, finally, the fear will provide a subjective view.
London , in the sixties, a very stylish photographer, Thomas (David Hemmings), lives a career of excess and glamour. Thomas sees something (or perhaps not) when photographing, in a park of London by mere chance. Thomas becomes then obsessed by the possibility to have photographed a murder. (Is that a body under the shrubs?) While his obsession grows, Thomas repeatedly amplifies, studies, and mounts the negatives to find the final proof, the evidence of the possible occurrence. 
Another image, that emphasizes the line between the objective reality and the illusion, we can find at the end of the film, when Thomas participates with a young group of masked people in a pantomime, he launches an invisible tennis ball to them and they play a game that is impossible to describe. The balls, the racquets of tennis and the audience do not exist. In Thomas mind he hears the illusion, the sound of a real game of tennis, through the soundtrack of the film.
What is the nature of reality? We deform the natural with interpretations and inferences. Did a murder really occurred? Did anybody died? Or was the voyeuristic imagination of a mind in the delirious everyday life?


PT
“Janela Indiscreta” (1954) é um estudo sobre o voyeurismo e a obsessiva curiosidade humana, baseado numa história de Cornell Woolrich e realizado pelo mestre do suspense, Alfred Hitchcock.

A história gera uma situação intensa de suspense que vai crescendo ao longo do filme, L.B. Jefferies (James Stewart), representa muito mais que um simples personagem. Ele é um fotógrafo, acostumado a ter um olhar cirúrgico. Confinado ao seu apartamento devido a um acidente que o deixou imobilizado numa cadeira de rodas, tem a partir da janela do seu apartamento um amplo campo de visão da vida quotidiana dos apartamentos vizinhos. A impossibilidade de interferir (espectador) e a profunda relação com a história (tanto para o fotógrafo, quanto para o espectador real) fazem deste filme uma analogia do relacionamento entre o público e o filme.
Durante a sua inocente vigilância voyeuristica ocorre algo estranho num apartamento de um vizinho e por mais que ele relate o acontecimento à sua namorada Lisa Carol Fremont (Grace Kelly) esta não acredita em algo tão implausível. Será que L.B. Jefferies presenciou realmente um assassinato, ou foi só imaginação?

“Blow-Up”(1966) do director Michelangelo Antonioni expõem-nos e examina a natureza da realidade também através da fotografia, bem como a natureza da percepção humana. Partindo do “Princípio da Incerteza” ou “da Indeterminação” (1927) de Werner Heisenberg que afirmou que é impossível especificar e determinar, simultaneamente e com precisão absoluta a posição e a velocidade de uma partícula, pois o próprio acto de medida perturba, até certo ponto, o fenómeno. Assim partindo deste pressuposto, Antonioni reivindica que o acontecimento observado, está alterado pela mera presença do observador. A observação, não é nunca um processo neutro ou abstracto. O princípio adjacente da narrativa de “Blow Up” será o de nenhum fenómeno ser puro, pois quando as emoções humanas entram no jogo, deixam em consideração a culpa, o obsessão e, finalmente, o medo. 
Londres, anos 60, um fotógrafo very stylish, Thomas (David Hemmings), vive uma carreira de excesso e glamour. Thomas vê algo (ou talvez não) ao fotografar, num parque de Londres por mera casualidade. Thomas torna-se então obcecado pela possibilidade de ter fotografado um assassinato. (É aquele um corpo sob os arbustos?) Enquanto a sua obsessão cresce, Thomas repetidamente amplia, estuda, e monta os seus negativos para encontrar a prova final, a evidência da ocorrência possível. 
Uma outra imagem indelével, que enfatiza a linha entre a realidade objectiva e a ilusão, encontra-se no final do filme, no qual Thomas participa com um grupo de jovens mascarados numa pantomima, lança-lhes uma bola de ténis invisível e jogam um jogo impossível de descrever. As bolas, as raquetes de ténis e a audiência não existem. Na mente de Thomas ouve-se a ilusão, o som de um jogo real do ténis, através do soundtrack do filme.
Qual a natureza da realidade? Nós deformamos o natural com interpretações e inflexões. Será que houve um assassinato? será que houve um morto? Ou a imaginação voyeuristica de uma mente num quotidiano delirante?