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Henri Barbusse  no jornal Le Monde.
Paris, (c.1935)


EN
Henri Barbusse (1873 - 1935) French writer gains international reputation with his book “Le Feu” (1916), based in his experiences of live. His writings transmit a realistic certification of the horrors of the World War I.            

But perhaps his most famous novel is, “L´Enfer” (1908) because it deals with the interior war that each and every man battles within himself before the reality of his own life.
This romance puts us in a strange universe. A young boy, whom we know a little bit of, his name, not his age, perhaps thirty, comes from the country side to the city of
Paris , to work in a bank. His parents had died when he was a child and since then he is alone in the world. This man is disillusioned and without hope, asks himself systematically questions about existence and its deeper mysteries.
Settled in the Lemercier Pension, in a room equal to many other rooms, the protagonist having been accommodated to his room starts to hear noises coming from other room that called his attention. Intrigued he notices that over the bed exists, a hole through which it is possible to see and to hear the occupants of the other room in their daily life activities. Fascinated, he spends his time observing the life of others through the "eye". The look of the voyeur narrator becomes central in “L´Enfer”. Something happens, because our protagonist cannot come back to his normal life, because he can’t stop observing the current life in the other room, leading the reader to become a voyeur through his narration. The only thing that he has is a peephole in a wall through which he can see the world; he is a witness of
Paris in the beginning of XX century.

The young voyeur observes a great variety of human activities in direct, coming across with the life in all its nuances: birth, first love, marriage, sex, adultery, lesbianism, illness, religion, isolation and death. He hears the voices of his neighbours, crying out, asking for, arguing, suspiring, lying, betraying, blunted, exalted and mourning slowly for the death. In this way he reflects on his existence in the world.
In Henri Barbusse romances, we cannot be calm, because through his vision always exists a revelation, an illumination that transforms the main character, who gains access to the truth. This is a philosophical novel not only concerning the voyeurism, but also solipsism, the idea that the only reality is himself and that everything else does not have a proper existence. The illusion of the world is then, including the other people, a projection of the mind. Constantly the voyeur narrator asks himself if what he is seeing is real or if it is his thoughts, questioning if the world actually exists?



PT
Henri Barbusse (1873 – 1935), romancista francês ganha reputação internacional com o seu livro “Le Feu” (1916), baseado nas suas experiências e vivências. Os seus escritos transmitem um realístico testemunho dos horrores da Primeira Guerra mundial.
Mas talvez a sua obra maior seja, “L´Enfer” (1908) pois trata da própria guerra interior que qualquer homem trava dentro de si perante a realidade da própria vida.
Este romance mergulha-nos num estranho universo. Um jovem, do qual pouco sabemos, nem o próprio nome, nem a certeza da idade dele, talvez trinta, vem do campo para a cidade de Paris, para ir trabalhar num banco. Os seus pais morreram quando era criança e deste muito cedo encontra-se só no mundo. Este homem está desiludido e sem esperança, questiona-se sistematicamente sobre a existência e os seus mais profundos mistérios.
Instalando-se na Pensão Lemercier, num quarto igual a muitos outros quartos, o protagonista, tendo se acomodado, começa a ouvir barulhos do quarto ao lado que chamam a sua atenção. Intrigado repara que por cima da cama existe um buraco no qual é possível ver e ouvir os ocupantes do quarto ao lado realizando as suas actividades quotidianas. Fascinado passa o seu tempo observando a vida através do olho. O olhar do narrador - voyeur torna-se central em “L´Enfer”. Algo acontece, pois o nosso protagonista já não consegue voltar à sua vida normal, pois não consegue deixar de observar a vida decorrente no quarto do lado, levando o leitor a torna-se um voyeur através da sua narração. A única coisa que ele tem é um buraco numa parede na qual ele pode ver o mundo, ele é testemunha de Paris no princípio do século XX.
O jovem voyeur observa uma grande variedade de actividades humanas em directo, deparando-se com a vida em todas as suas nuances: nascimento, primeiro amor, casamento, sexo, adultério, lesbianismo, doença, religião, isolamento e a própria morte. Ele ouve as vozes dos seus vizinhos, gritando, pedindo, discutindo, suspirando, mentindo, atraiçoando, despontados, exaltados e definhando lentamente para a morte. Deste modo reflecte sobre a sua própria existência no mundo.
Nos romances de Henri Barbusse, não se pode ficar sereno, pois através da sua visão existe sempre uma revelação, uma iluminação que transforma a personagem principal, que ganha acesso à verdade. Esta é uma novela filosófica não só acerca do voyeurismo, mas também de solipsismo, a ideia de que a única realidade é o próprio eu e que tudo o mais não tem existência própria. A ilusão do mundo é então, incluindo as outras pessoas, uma projecção da mente. Constantemente o narrador- voyeur pergunta-se a si próprio se é real o que está a ver ou se são os seus pensamentos, questionando se o mundo existe mesmo?