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Untitled
Anónimo / Anonymous


EN
George Bataille (1897-1962), heir of Nietzsche and predecessor of Foucault, reflects about reality, which is conflictive.         

“History of the Eye” (1928) is a novel of an obsessive sexuality. The author works the narrative of the discovery of the sexual adventure in adolescence, constructing the imaginary of the novel around a metaphoric structure of the eye. Beginning in one of the characters, the obsession with eggs grows throughout the adventure; including the remaining personages in his unhealthy repugnance.
“To listen to her, one would say that the form of the eye was of the egg.”
[1]   
The eyes are glorified and humiliated, tortured and sexualised; the eye becomes an excess figure, and the eggs, testicles in accordance with the traditional symbolism becomes virtual eyes, seeing everything, guaranteeing that everything is seen. They are witnesses of the evidence; therefore the evidence is before our eyes. The novel finishes when the last object, the eye that is manipulated obscenely and profaned is used in a transgression without precedents.   Having been initially considered as a pornographic novel, in the present days the interpretation of is work disclose the philosophical and emotional, characteristic depth of the writers whose work as been categorized as “literature of the trespass.”
“History of the Eye” is the incessant sexual search, destroying everything and all for its search. The horror strengthens and excites the desire, this is about a intellectual project: to explore the transgression being the death the only possible end for the pornographic odyssey. The Author knows more clearly than any one that pornography has not its finality in sex, but in death. For more domesticated than he can be, sexuality remains one of the demonic forces of the conscience of man. Pornography aims the disorientation and the psychic displacement because offers a disgusted event in which the feeling is anaesthetised. The release of the sexual reaction is assured by voyeur.
The egg is the oldest version of the ocular globe. Bataille adds in the end of the novel an autobiographical essay in which gives us the account that is father was blind and the image, who held back of his eyes, was as being eggs. The voyeur initially is blind, but throughout the scandalous narrative becomes witness of an orgiastic satisfaction of the personages in their sexual faults, getting the site of the vision throughout the shocking sexual behaviours that attends constantly. 



[1] BATAILLE, George History of the Eye, 1927, p. 49, Livros do Brasil, Lisbon.

 



PT
George Bataille (1897-1962), herdeiro de Nietzsche e predecessor de Foucault, reflecte sobre a realidade, que considera conflituosa. 

“História do Olho” (1928) é um conto de uma sexualidade obsessiva que envolve a violação, a necrofilia, o fetiche para além de outros desvios. O autor trabalha a narrativa da descoberta da aventura sexual na adolescência, construindo o imaginário da novela em torno de uma estrutura metafórica do olho. A partir de uma das personagens, a obsessão com ovos vai-se exacerbando ao longo da aventura, incluindo as restantes personagens na sua repugnância doentia.
“Ao ouvi-la, dir-se-ia que a forma do olho era a do ovo.”[1]
Os olhos são glorificados e humilhados, torturados e sexualizados; o olho torna-se uma figura de excesso, e os ovos, testículos de acordo com o simbolismo tradicional tornam-se olhos virtuais, vendo tudo, garantindo que tudo é visto. São testemunhas da evidência, pois a evidência está perante os nossos olhos. A novela termina quando o último objecto, o olho que é manipulado obscenamente e profanado é utilizado numa transgressão sem precedentes.
Tendo sido, inicialmente, considerada como uma obra pornográfica, aquando da interpretação do seu trabalho, amadureceu para revelar a profundidade filosófica e emocional, característica dos escritores que foram categorizados dentro da “literatura de transgressão.”
“História do Olho”é a incessante busca sexual, aniquilando tudo e todos na sua procura. O horror reforça e excita o desejo, trata-se de um projecto intelectual: explorar a transgressão, sendo a morte o único fim possível para a odisseia pornográfica. O Autor sabe claramente mais do que qualquer um que a pornografia não tem como finalmente o sexo, mas a morte. Por mais domesticada que possa ser, a sexualidade permanece como uma das forças demoníacas da consciência do homem.
A pornografia visa a desorientação e o deslocamento psíquico devido a oferecer um acontecimento ultrajante no qual o sentimento está anestesiado. A libertação da reacção sexual é assegurada pelo voyeur.
O ovo é a versão mais antiga do globo ocular. Bataille acrescenta no final do conto um ensaio autobiográfico na qual dá-nos conta que o pai era cego e a imagem que retinha dos seus olhos, era como se fossem ovos. O voyeur inicialmente é cego, para ao longo da narrativa escandalosa tornar-se testemunha da satisfação orgástica das personagens nos seus desvios sexuais, obtendo o dom da visão através das conspurcações que assiste constantemente.

 

[1] BATAILLE, George "História do Olho", 1927, p. 49, Livros do Brasil, Lisboa.