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Rrose Sélavy (1920) Etant Donnés (1969)
Marcel Duchamp

EN
In an interview made by Pierre Cabanne, Duchamp says: “I desired to change my identity and, first, I thought to pick up a Jewish name. I was catholic, and this passage of a religion to another one already meant change. But I didn’t find a Jewish name that I liked or that awaked my fantasy and, suddenly, I had an idea: why would I not to change sex? It was easier” In this way Rsose Sélavy appears, as a result not only of a change of sexual identity and gender, but also as a game of words. The two “R”, are for a signature of Duchamp in a painting of Picabia entitled: Eil Cacodylatc, in which he wrote: “Pi qu `habilla Rrose Sélavy”, in a phonetic sense can be read as: “Picabia l´arrose c´est la vie”, or “Eros c´est la vie”

Rrose Sélavy, the double of Duchamp, or is feminine side was born in New York in 1920, when Duchamp transfigured as a woman was photographed by ManRay. Rrose is an enigmatic travesty with androgynous sexuality, as well as she is an artist and a work of art. Fresh Window (1920) is the first work of Rrose Sélavy, a game of seeing and not seeing.
The master piece and last work of Marcel Duchamp, Etant Donnés is an example of this exactly. Displayed permanently from 1969 in the
Museum of Art of Philadelphia
, after the death of the author, would transpose Rrose Sélavy for art work of open sexuality. This satirical work is a peep-show, in which the observer is defied to abandon his point of view of passive receiver and become conscientious of his position as voyeur. Duchamp violates the feminine body, when he uses it in a metaphorical way. We may ask if the abandoned woman of Etant Donnés is Rrose Sélavy, the Fresh Window. That is, Duchamp, him too a voyeur, that catches strange images, or him as an enigma.



PT
Em entrevista a Pierre Cabanne, Duchamp diz: “Eu desejava mudar a minha identidade e, primeiramente, pensei adoptar um nome judeu. Eu era católico, e esta passagem de uma religião para outra já significava mudança. Mas não encontrei nenhum nome judeu de que gostasse ou que despertasse a minha fantasia e, de repente, tive uma ideia: Porque não mudar de sexo? Era mais fácil!” Deste modo surge Rsose Sélavy, fruto não só de uma mudança de identidade e de género sexual, mas também de um jogo de palavras. Os dois “R” remetem para uma assinatura de Duchamp num quadro de Picabia intitulado: Eil Cacodylatc, no qual escreveu: “Pi qu`habilla Rrose Sélavy”, foneticamente pode ser lido como: “Picabia l´arrose c´est la vie”, ou “Eros c´est la vie”
Rrose Sélavy, o duplo de Duchamp, ou o seu feminino nasce em Nova Iorque em 1920, quando Duchamp transfigurado em mulher deixa-se fotografar por ManRay. Rrose é um travesti enigmático com sexualidade andrógena, como também é uma artista e obra. Para além de apropriar-se de readymades, Viúva Imprudente (1920), continua a escrever trocadilhos de palavras: “Rrose Sélavy acha que um incesticida deve dormir com a mãe dele, antes de a matar; os percevejos são indispensáveis”
A célebre e última obra de Marcel Duchamp, Etant Donnés é exemplo disso mesmo, exposta permanentemente a partir de 1969 no Museu de Arte de Filadélfia, após a morte do seu autor, transporia Rrose Sélavy para uma obra de sexualidade aberta. Obra satírica, um peep-show, na qual o observador é desafiado a abandonar o seu ponto de vista de receptor passivo e tornar-se consciente da sua posição de voyeur. Duchamp viola o corpo feminino, ao utilizá-lo de uma maneira metafórica. De algum modo a mulher abandonada de Etant Donnés é Rrose Sélavy, a Viúva Imprudente. Isto é, Duchamp ele próprio um voyeur, que capta imagens indecifráveis, ou ele próprio um enigma.