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Twin Towers
Anónimo / Anonymous


EN
Wolfgang Staehle was born in 1950 in Stuttgart, Germany. Currently lives and works in New York. He emerged in the eighties, as an artist working in video, but became recognized as a pioneer of the web art field. He founded in 1991, The Thing, the first Internet service provider dedicated to international contemporary art world. This independent project of new media that began as a bulletin board system (BBS) became one of the seminal online forums and offline art and theory.
The work of this artist reflects our technological age and their ability to provide immediate as an art form.
The installation at the Postmaters Gallery in New York between September 6 and October 6 2001 involved three video projections transmitted directly via webcam. The artist used the technology to produce a display of live images via webcam. The work presented focuses on large-scale, real-time video projections of different places of the globe: a diptych of the New York skyline with a panoramic view of downtown Manhattan. A unique view of the famous TV tower in Berlin and a view of a romantic monastery Comburg, in southern Bavaria, to be projected on a large scale the walls of the gallery.
The projections, visceral experience of sync, using the Internet as a means of communication, offers instant compression of time and space. Today's communication networks, present us an Earth in which the experience is summarized as: anything, anywhere, any time. The artist presents us with landscapes, near and far, still and moving simultaneously.
The typically used technology webcam to offer voyeuristic fantasies in real-time has been converted and directed to issues addressed in photography and video, with a particular emphasis on its global reach through the Internet. If art reflects its times and technologies, this exhibition that the artist intended to be contemplative, became a reflection of contemporary times, witnessing a real catastrophe. If the original intention was to make a work of meditative art, the webcam reached the sublime terror. In light of the September 11 events, the work became a bridge between the art world and the real world.
The Press release written by the gallery on 20 September entitled up: Before, During, and After. "It will take a long time until I process everything that happened. Some art may now be considered trivial and self-indulgent, but other jobs, for good or for evil, gained relevance. The art will continue to be made as usual. As you know the Postmasters Gallery inaugurated the exhibition of Wolfgang Staehle, (...) in which included a panoramic live Manhattan transmitted 24 hours a day via the Internet in 4 seconds. Until Monday we could see the iconic beauty of the New York skyline. (...) Tuesday morning it seemed like the world had ended. The projection captured phases of the event. It is difficult for me and for the audience of the gallery to see these images; the key labor intention was and continues now with an altered reality, renewing the idea of ​​landscape with the tools of today. The context in which art is made and shown changed irrevocably on September 11. For me the work of Wolfgang is the only artwork in which the context and content were directly affected because of the attack on the WTC. The art will continue to be made as usual. "[1]
After the terrorist attack of September 11 on the United States, the controversial composer Karlheinz Stockhausen said the terrorist attack and the collapse of the Twin Towers were the greatest work of art until today performed. As the artist Damien Hirst said as something of great artistic level until now unthinkable to accomplish.
Definitely something changed and it was not only the art, but the way we look and see the world. We entered the twenty-first century, the voyeurism of the century.
 



[1] Magdalena Sawon, Postmasters Gallery New York September 20, 2001 

         

 


PT
Wolfgang Staehle, nasceu em 1950 em Estugarda, Alemanha. Actualmente Vive e trabalha em Nova Iorque. Emergiu, nos anos oitenta, como um artista trabalhando em vídeo, mas tornou-se reconhecido como um pioneiro do campo da web arte. Tendo fundado em 1991, The Thing, o primeiro servidor de internet dedicado ao mundo internacional da arte contemporânea. Este projecto independente de new media que começou como um bulletin board system (BBS), tornou-se um dos forums seminais online e off-line de arte e teoria. 
O trabalho deste artista reflecte a nossa era tecnológica e a sua capacidade de apresentar o imediato como forma de arte. 
A instalação realizada na Galeria Postmaters em Nova Iorque entre 6 de Setembro e 6 de Outubro de 2001 envolvia três projecções vídeo transmitidas directamente via webcam. O artista usou a tecnologia para produzir uma exposição de imagens vivas através de webcam. O trabalho apresentado foca em larga escala e em tempo real, projecções vídeo de diferentes locais do globo: Um díptico do horizonte de Nova York com uma panorâmica da baixa de Manhattan. Uma única vista da famosa torre de televisão em Berlim e uma vista de um mosteiro romântico Comburg, na Bavaria do sul, para serem projectados em grande escala nas paredes da galeria.
As projecções, experiência visceral de sincronia, utilizando a Internet como via de comunicação, oferece uma compressão instantânea do tempo e espaço. Hoje em dia as redes de comunicação, apresentam-nos uma Terra na qual a experiência se resume como: qualquer coisa, qualquer lugar, qualquer tempo. O artista presenteia-nos com paisagens, perto e longe, estáticas e em movimento simultaneamente. 
A tecnologia webcam usada tipicamente para oferecer fantasias voyeuristicas em tempo-real foi convertida e direccionada para temas abordados pela fotografia e o vídeo, com uma ênfase particular no seu alcance global através da Internet. Se a arte reflecte as suas épocas e tecnologias, esta exposição que o artista pretendia ser contemplativa, tornou-se uma reflexão dos tempos contemporâneos, testemunhou uma catástrofe real. Se a sua intenção original era de fazer um trabalho da arte meditativa, as imagens da webcam atingiram o sublime do terror. À luz dos eventos de 11 de Setembro, o trabalho transformou-se numa ponte entre o mundo da arte e o mundo real.
O Press release redigido pela galeria em 20 de Setembro intitulava-se: Before, During, and After. “Demorará muito tempo até eu processar tudo o que aconteceu. Alguma arte agora poderá ser considerada banal e auto-indulgente, mas outros trabalhos, para o bem ou para o mal, ganharam relevância. A arte continuara a ser feita como sempre. Como sabem a Postmasters Gallery inaugurou a exposição de Wolfgang Staehle, (…) na qual incluía uma panorâmica ao vivo de Manhattan transmitida 24h por dia via Internet em cada 4 segundos. Até segunda-feira passada podíamos ver a beleza icónica do horizonte de Nova Iorque. (…) Terça-feira de manhã parecia que o mundo tinha terminado. A projecção capturava as fases do evento. È difícil para mim como para a audiência da galeria ver estas imagens, a chave da intenção do trabalho foi e continua agora com uma realidade alterada, renovando a ideia de paisagem com as ferramentas dos nossos dias. O contexto no qual a arte é feita e mostrada mudou irremediavelmente em 11 de Setembro. Para mim a obra de Wolfgang é o único trabalho artístico no qual o contexto e o conteúdo foram afectados directamente devido ao ataque ao WTC. A arte continuara a ser feita como sempre.”[1]
Após o ataque terrorista de 11 de Setembro aos Estados Unidos, o controverso compositor Karlheinz Stockhausen afirmou que o ataque terrorista e o colapso das Twin Towers foram a maior obra de arte até hoje realizada. Tal como o artista Damien Hirst referiu como algo de grande nível artístico até hoje impensável de ser realizado.
Definitivamente algo mudou e não foi unicamente a arte, mas sim o modo como olhamos e vemos o mundo. Entrámos no século XXI, o século do voyeurismo.



[1] Magdalena Sawon, Postmasters Gallery New York , September 20, 2001