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A Ponte / The Bridge
Eric Steel, 2006


EN
They say that "The Bridge" is a passage to the other side, but when this passage is transformed into a place propitious to suicide, the other side is a metaphor for death. The Golden Gate Bridge is the most popular site in the world, not for its beauty and views of the San Francisco Bay, but by ordinary people seeking suicide, signaling there one death every two weeks. The structure opened in 1937, is similar to the 25 de Abril bridge in Lisbon which is also venue for people in despair.

Tad Friend, who in 2003 wrote an article in the New Yorker about who is searching there for a dip to death, defends the existence of a kind of fatal attraction; that the bridge has on those who seek it the end. Jumpers the article in question was based on the vision of Eric Steel, which turned into a documentary. The director spent 2004 filming the bridge deck and recorded six falls among the more than twenty mortals who saw this year. Having decided a set of rules with the Coast Guard, during the year of surveillance, prompt action Patrol has even prevent six jumps.

The criticisms of the documentary are the morbid voyeurism, because it is an intrusion of the director in the private lives of others. This, however, remembers that the deaths occurred in a public place and he simply film what anyone can see. Moreover, it is not the nature of the documentary itself an indiscreet window on humans? What is in question is death itself be filmed, including self-inflicted death. The last taboo is now displayed in movie theaters, in public fact. And the endless voyeuristic curiosity of human nature will be satisfied.

Albert Camus stated that the only philosophical problem was suicide.


PT
“A Ponte” segundo dizem é uma passagem para a outra margem, mas quando essa passagem é transformada em local propício ao suicídio, a outra margem é metáfora da morte. A ponte de Golden Gate é o local mais procurado no mundo, não pela sua beleza e vistas sobre a baia de São Francisco, mas sim por pessoas comuns que procuram o suicídio assinalando-se ali um óbito em cada duas semanas. Estrutura inaugurada em 1937, assemelha-se à ponte 25 de Abril, em Lisboa que também é local escolhido por pessoas em desespero.

Tad Friend, que em 2003 escreveu na New Yorker um artigo sobre os que ali procuram um mergulho para a morte, defende o existir de uma espécie de atracão fatal, que a ponte exerce sobre os que nela buscam o fim. Jumpers, o artigo em questão, esteve na base da ideia de Eric Steel, que transformou num documentário. O realizador passou o ano de 2004 a filmar o tabuleiro da ponte e registou seis quedas entre as mais de vinte mortais que esse ano viu. Tendo decidido um conjunto de regras com a guarda costeira, ao longo do ano de vigilância, a pronta acção da patrulha chegou mesmo a evitar seis saltos.

As críticas dirigidas ao documentário são as do voyeurismo mórbido, pois é uma intrusão do realizador nas vidas privadas de outros. Este, contudo, lembra que as mortes aconteceram em local público e que se limitou a filmar o que qualquer um pode ver. Aliás não é a natureza do próprio documentário uma janela indiscreta sobre os seres humanos? O que está em questão é a própria morte ser filmada, nomeadamente a morte auto-infligida. O último tabu é agora visualizado nas salas de cinema, em facto público. E a interminável curiosidade voyeuristica da natureza humana será satisfeita.

Albert Camus bem referia que o único problema filosófico era o suicídio.