Voyeur
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Untitled (c.1930)
Anónimo / Anonymous

EN
Voyeur has been defined as someone who obtains sexual gratification from looking at sexual organs or sexual acts performed by others, and also as someone who enjoys observing other people’s private lives without their knowledge.
Voyeur has had a negative meaning as it has been understood as implying an intentionally wrong act.
According to Marcel Proust voyeurism can be performed by the lover looking through the window at his beloved. Nowadays, this image looks too idealistic. It belongs to another world somewhere in the past.
Voyeur understood as an act of seeing/looking/observing in the general sense has become a hobby in present day Western world - one can observe not only one’s own daily life as well as, through the media, see images of others miserable lives.
To observe is safer than to adventure in the inherent dangers of present day world. As such, to exist entails to be a voyeur, by the impossibility/difficulty of being anything else, and, therefore, to live through a visual culture saturated by publicity, wars, politics, pornography, … where frontiers merge and have become obsolete.  We see constantly images/scenes that ironically reflect our own factuality and freedom. We are not aware of our own positioning because we ourselves are nothing. According to Sartre, “…since I am what I am not and I am not what I am - I cannot define myself as truly being in the act...” of voyeurism. “Not only I cannot know myself, as also my own self eludes me – even though I am myself this eluding is my own being - and I am absolutely nothing."
But then who detains the power? The one that looks or the one that has what the other desires? the object of desire?

  

PT
A definição generalista de voyeur é de uma pessoa que obtêm prazer olhando secretamente outras pessoas tendo relações sexuais, e também uma pessoa que gosta de olhar para os problemas e vida privada de outras, sem elas saberem. Esta palavra: voyeur, teve no passado, um significado negativo, sugerindo um acto de má-fé.
O conceito de voyeur pode ser encontrado no amante descrito por Proust, olhando discretamente através de uma janela para o seu amor. Esta imagem parece ser demasiadamente idealista aos nossos olhos, nos dias de hoje. Pertence de certeza a um outro mundo, algures no passado.
Nos nossos tempos ser voyeur tornou-se um passatempo no mundo ocidental, a que podemos assistir diariamente, não só no nosso próprio dia a dia, como através da média que bombardeiam o público com imagens das vidas miseráveis de outros.
Olhar, hoje, é mais seguro do que uma pessoa aventurar-se pelos perigos inerentes do mundo. Existir, hoje, significa ser voyeur por impossibilidade de ser outra coisa, e viver numa cultura visual saturada de imagens de publicidade, guerra, politica, pornografia, onde as fronteiras se esbateram, estão obsoletas. Existem, constantemente, cenas que são vistas, e que de um modo irónico reflectem a nossa liberdade. Não somos consciência posicional de nós mesmos, porque somos, nós próprios, nada.
Segundo Sartre: “Nesse sentido – posto que sou o que não sou e não sou o que sou -, não posso sequer definir-me como estando verdadeiramente no acto (...)” de voyeur. “Não somente não posso conhecer-me, como também meu próprio ser me escapa – embora eu seja este próprio escapar a meu ser – e não sou absolutamente nada.”
Mas afinal quem é que detêm o poder? A pessoa que olha, ou a pessoa que têm o que o outro deseja?