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30.08.09 
Voyeur Project View: SHUT DOWN


27.07.09
Há um arrebatável sentimento que nos percorre a todos quando um som ressalta do exterior da nossa casa e nos compelimos até à janela afastando seja o que for que se entremeia entre o refúgio interior e o apelativo exterior (cortina, portada, seja…). Chamo-lhe curiosidade mas também voyeurismo – faz parte de ti espreitar sempre e já és crescidinho o suficiente para saber que a curiosidade não matou o gato mas sim a ignorância de ficar a leste. Sugiro que espreites pelo peep hole qual peeping tom experiente e espreites o trabalho de João Francela no Voyeur Project View. As webcams estão lá também perscrutando o ausente e o desejado – não te espicacei já a curiosidade? Parece que por aqui teremos a arte a nu, é de ver, é de seguir, é de estar.

Rafha in Le Cool

 

23.07.09 João Francela
Revisitar Duchamp criar um "trompe l´oeil", “Etant Donnés” (1946-66) no Voyeur Project View. Porta para espreitar, tornar visível o que já o é, dar continuidade ao que já existe, repetir a fórmula, acentuar uma ideia e dar-lhe proximidade.

Será que aguça a pulsão do olhar?

Marcel Duchamp (1887 | 1968)

Epitáfio: D’ailleurs, c'est toujours les autres qui meurent. (De qualquer modo, são sempre os outros que morrem)

 

23.07.09 Saddam Hussein (1937 | 2006)
No dia 5 de Novembro de 2006, após um julgamento conturbado, Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti foi considerado culpado por crimes contra a humanidade e sentenciado à morte por enforcamento. No primeiro dia de Eid ul-Adha (“Festival do Sacrifício”), dia 30 de Dezembro de 2006 a sentença foi realizada. A execução foi gravada em vídeo, através de um telemóvel, mostrando Saddam enfrentando os seus executores com dignidade, apesar de de ser insultado. O vídeo foi colocado na Internet, após algumas horas, tornando-se sujeito de voyeurismo global.

 

23.07.09 Torus Ensemble
Past/Tense (by numbers)

O Torus Ensemble é um colectivo de artistas sonoros cujos membros, provenientes de diversas nacionalidades (Alemanha, Polónia, Finlândia, Eslovénia, Letónia), se dedicam desde 2004 à criação de peças electro-acústicas, com carácter frequentemente site-specific, através de um método de trabalho incomum. Mantendo a mais estrita anonimidade individual para o exterior do grupo, os seus membros, sediados nos diversos países de origem, comunicam entre si durante o processo criativo exclusivamente por via postal tradicional. Após a finalização da peça, as instruções e os materiais necessários para a sua concretização in situ são enviados, igualmente por correio, ao indivíduo (ou instituição) encarregados da sua produção e montagem, mantendo assim durante todo o processo um carácter de separação entre as diversas instâncias de criação e produção da obra através da sua sucessiva mediação.

A instalação Past/Tense (by numbers) que o Torus Ensemble criou para o VoyeurProjectView surge na sequência dos trabalhos mais recentes que o grupo tem criado para espaços alternativos de exibição em diversos países da periferia europeia. Utiliza materiais audio pré-existentes, em parte encontrados em arquivos privados, que são montados e manipulados por processos electrónicos sendo posteriormente organizados e distribuídos no espaço através de métodos algorítmicos generativos, promovendo desta forma colisões complexas entre massas sonoras que remetem para universos diversificados de memórias particulares, cujo carácter fantasmático se actualiza em presença do espaço concreto em questão. No caso, o espaço do VPV.

 

01.07.09
Pedro Vaz: "O Bom Selvagem"

in L+Arte nº 62

 

18.06.09 Pedro Henriques 
"Esta peça apresenta-se sob a forma de um vídeo instalado, com 5 minutos de duração, em loop e com uma vincada narrativa sonora. Será o som uma narração “em directo” de algo que está a acontecer num espaço que não nos é mostrado, ou ao invés disso, apenas um som diferido de algo que já aconteceu, sendo a imagem apenas metáfora de um passado?"

 

18.06.09 Délio Jasse
“Depois de termos feito da morte uma afirmação da vida, convertido o seu abismo numa ficção salutar, esgotados os nossos argumentos contra a evidência, ronda-nos o marasmo: é a desforra da nossa bílis, da nossa natureza, desse demónio do bom senso que, quebrado por um tempo, volta a acordar para denunciar a inépcia e o ridículo da nossa vontade de cegueira.Todo um passado de visão impiedosa, de cumplicidade com a própria perda, de habituação ao veneno das verdades – e tantos anos gastos a contemplar os nossos restos, tentando extrair deles o princípio do nosso saber! Porém,devemos aprender a pensar contra as nossas dúvidas e contra as nossas certezas, contra os nossos humores omniscientes; devemos, sobretudo,forjando uma outra morte, uma morte incompatível com os nossos cadáveres, aceitar o indemonstrável, a ideia de que alguma coisa existe…”

E.M.Cioran

 

18.06.09 Cátia Cóias
“ Se alguma coisa está errada na nossa atitude perante o sexo, então alguma coisa estará também errada na nossa atitude perante o dinheiro, o pão, o trabalho e o lazer, perante tudo. Como será possível ter-se uma boa vida sexual quando se tem uma atitude distorcida e pouco saudável noutros aspectos da vida?”Henry Miller, O mundo do sexo. 
Está estudado que os animais num habitat natural não se mutilam, não se masturbam, não desenvolvem comportamentos agressivos perante os outros demais da sua espécie, não desenvolvem úlceras de estômago, não formam pares homossexuais e não cometem crimes. Estes comportamentos são apenas verificados quando em cativeiro. À semelhança dos homens das grandes cidades, que desenvolvem comportamentos distorcidos do que deveria ser o seu comportamento natural. Desmond  Morris chamou a essas grandes cidades, ”The human zoo”, onde o Homem vivendo num assumido cativeiro envolto de cabos, plásticos, cimento, vidro e metal  luta por manter equilibrados os parâmetros básicos da sua vida, como o sexo.

 

15.05.09
http://primeiraavenida.blogspot.com/ (2009)

 

14.05.09 Rui Toscano 
‘‘I had a dream. In fact, it was on the night I met you. In the dream, there was our world, and the world was dark because there weren't any robins and the robins represented love. And for the longest time, there was this darkness. And all of a sudden, thousands of robins were set free and they flew down and brought this blinding light of love. And it seemed that love would make any difference, and it did. So, I guess it means that there is trouble until the robins come.’’

 

14.05.09 Pedro Vaz
A ideia de Expansão da Natureza, surge da observação do ciclo natural da vida, da simples existência e actividade das plantas que naturalmente reutilizam os espaços disponibilizados pelo ser humano. Surge também das anteriores Caixas de Paisagem, apresentadas nesta exposição "que retratam ocultando e desocultando, o artificialismo da natureza traduzida pela arte", direccionando "este trabalho para temáticas como as da percepção, da interpretação especulativa ou conceptual do tema paisagem". Existe uma relação construtiva, uma espécie de desfragmentação da antiga Caixa de Paisagem, em que os fragmentos assumem uma pintura, orgânica e estrutural, passando de um realismo figurativo para uma quase total abstracção. Esta multiplicação da pintura em vários planos, expansão física do objecto, resulta numa ocupação de espaço horizontal (chão), ocupando uma parte do lugar do espectador, recriando uma nova realidade física.

Carlos Vidal, “O Peso do Olhar”, 3 Junho de 2006

 

14.05.09 Pedro Diniz Reis
delicatessen |delikətesən| noun 
a store selling cold cuts, cheeses, and a variety of salads, as well as a selection of unusual or foreign prepared foods.

• a counter or section within a supermarket or grocery store at which a range of such foods is available.

• foods of this type collectively.

ORIGIN late 19th cent. (originally denoting prepared foods for sale): from German Delikatessen or Dutch delicatessen, from French délicatesse ‘delicateness,’ from délicat (see delicate ).

 

10.04.09
João Louro, Acácia Maria Thiele e Cláudia Mateus expõem no Voyeur Project View em Lisboa, de 2 de Abril a 2 de Maio. Publicam-se a seguir elementos explicativos das obras e um texto da autoria de João Seguro sobre a intervenção de Cláudia Mateus.

http://www.e-vai.net (2009)

 

02.04.09 João Louro
Nesta exposição no Espaço Voyeur, serão apresentadas 2 obras. A primeira obra “The Kiss”, é um vídeo onde se observa um beijo filmado no interior das bocas e que se afasta da visão habitual do beijo de Hollywood, limpo, seguro e seco. Esta obra foi apresentada pela primeira vez na Fundação Joan Miró, em Barcelona e nunca foi mostrada em Portugal. 
A segunda obra "Electric Chair" é inédita. Trata-se de uma escultura sonora, que representa a cadeira eléctrica de execução penal, que contém um inesperado ruído do bicho-da-madeira a alimentar-se e que é apenas perceptível quando o espectador se aproxima deste objecto ameaçador."

 

14.05.09 Acácia Maria Thiele
"il est sale de savoir"               

Bataille

 

14.05.09 Cláudia Mateus
MISUSE 
Na presente exposição MISUSE, Cláudia Mateus (Lisboa, 1979) apresenta um conjunto de trabalhos recentes fundado nas noções de tempo e espaço enquanto princípios de antítese ou de dilaceramento ontológico. Neste conjunto, constituído por uma série de fotografias cuja figura central é enigmaticamente uma escala cromática Kodak utilizada em fotografia técnica, enuncia-se a norma pela qual se rege toda a ética gázea desenvolvida pela artista nas consequentes mediações, e que, adopta o critério da negação da imagem enquanto prescrição para uma chamada de atenção a elementos morfológicos de objectos e espaços. A supracitada escala Kodak (Phenomena, 2007), um objecto de proporções singulares na linhagem de um simples cubo (Flashing time, 2007), ou ainda o constante temperamento dos espaços laboratoriais onde estes objectos se inscrevem (Screen, 2007), desmascaram e agenciam em simultâneo a afluência de aspectos antinómicos que estas imagens despoletam. As peças propostas nesta exposição desmontam desta maneira o olhar e as fórmulas humanizadas de compreensão visual e temporal colocando em pendência a hipótese de temporalidade e de fisicalidade mediadas por regras visuais ou por matrizes de duração temporal.

João Seguro

 

07.03.09
O Voyeur Project View, em Lisboa, apresenta obras de Aleksander Vasilkov, Catarina Saraiva e Rui Mourão mostra uma vídeo-instalação com uma dupla projecção, intitulada Looking for some small marks, (...)

in NS´Diário de Notícias

 

03.03.09
Vá espreita! Eu sei que queres. Estás mortinho para encostar o nariz à porta fria e espiar pelo buraquinho. Aceitemos, a curiosidade é o que nos distingue das amibas e dos pinguins, e nos aproxima dos marsupiais, claramente. O Voyeur Project View foi feito a pensar nesse pequeno cusco que nos habita, nessa velha vizinha do lado que se mete em tudo. E convida-nos a vir espiar o Peep-Hole de Rui Mourão, LOOKING FOR SOME SMALL MARKS, e as 3 Web Cams de serviço, O Espelho de Catarina Saraiva, o video de Aleksander Vasilkov e o WAITING FOR THE RIGHT MOMENT de Rui Mourão. (O Rui gosta de filmar em caixa-alta). Boas espiadelas e não te deixes apanhar.

Amélia L. in Le Cool

 

26.02.09
Escape by Expresso: (2009)

 

26.02.09
ArteCapital recomenda:

 

26.02.09 Rui Mourão
Looking for some small Marks, 2008 
(vídeo | dupla projecção, mini-DV transferido para 2 DVDs, 7' 30'', cor, s/ som)

Esta vídeo-instalação apresenta-se em dupla projecção. O vídeo "Looking for" é projectado do lado esquerdo. O vídeo "some small marks" é projectado do lado direito. Ambos os vídeos se conjugam e estabelecem ligações estéticas, espaciais e conceptuais entre eles. "Looking for some small marks" tem lugar num grande parque de estacionamento de bicicletas construído sobre a água, junto a uma estação de comboios e autocarros - na Suécia - onde frequentemente se pode encontrar gente à procura da sua bicicleta por entre centenas, milhares de outras bicicletas. Mais uma vez, Rui Mourão desenvolveu trabalho artístico a partir da sua experiência pessoal. O próprio chegou a andar nesse espaço à procura da sua bicicleta e começou então a gravar imagens e a realizar entrevistas com vista a descortinar estratégias e experiências de utilizadores locais. Foi exactamente de uma dessas entrevistas que surgiu o título. Quem usa aquele parque, tem ou cria marcas especiais nas suas bicicletas de forma a identificá-las, reconhecê-las, memorizá-las. Dessa forma, o que inicialmente parece apenas um grande colectivo de veículos estacionados, é igualmente constituído por pequenas características particulares. Ao longo do vídeo, os planos vão-se centrando mais em comportamentos e movimentos de pessoas nesse processo da procura. Pela edição, constrói-se no vídeo uma espécie de coreografia a partir do quotidiano. As acções – onde as pessoas se encontram por momentos perdidas, confusas, frágeis, à procura de algo importante naquela altura – funcionam como metáfora de sentidos diversos. O artista toma assim "some small marks" e uma simples acção do real para reflectir sobre identidades e sobre relações entre o individual e o colectivo, o privado e o público, o eu e o outro.

Waiting for the right moment, 2008
(vídeo | mini-DV transferido para DVD, cor, s/ som)

Este vídeo está intimamente ligado com o vídeo "Looking for some small marks". Surgiu no seguimento conceptual desse anterior trabalho. Nova situação quotidiana e real, noutro espaço e noutro contexto. Desta vez estamos perante pessoas que aguardam junto a semáforos da cidade, à espera que o sinal para poderem atravessar a estrada fique verde. "Waiting for the right moment" foi gravado em Lisboa - junto a uma estação de comboios e junto a paragens de autocarros - após o regresso do artista a Portugal e tem um sentido próprio de acordo com o seu percurso pessoal. No entanto a situação – de pessoas à espera da altura certa para poderem avançar – funciona por si só. É metáfora de sentidos diversos. O vídeo resulta assim numa sucessão de corpos impossibilitados de avançar em frente para que outros o possam fazer antes, respeitando uma ordem, um sistema de organização social. Só assim o todo funciona e os indivíduos poderão ter o seu momento para avançar em segurança. A Rui Mourão interessa-lhe particularmente reacções, atitudes, emoções, comportamentos, pausas e movimentos perante essa situação de contingência na interacção do indivíduo com o colectivo, de contingência nas relações do eu com o outro.

 

26.02.09 Catarina Saraiva
Espelho, 2009
(DVD, cor, s/som, loop)

No espaço WEBCAM do Voyeur Project View, a artista apresenta duas instalações, dando continuidade ao trabalho que tem vindo a desenvolver em torno de questões como o género e identidade. Espelho consiste numa instalação vídeo composta pela projecção de um conjunto de imagens sobre um objecto escultórico. O espectador é convocado, através de contínuos close-ups, a olhar para um corpo que aqui é tomado como a metáfora de um espelho que reflecte as fronteiras do seu interior/exterior tornando visível a sua vulnerabilidade e a relação do tempo com a vida e morte.

 

26.02.09 Aleksander Vasilkov
Aleksander Vasilkov (n. 1985). Vive e trabalha em Moscovo. 
Os vídeos a serem apresentados retêm o nosso olhar num tempo ausente, participando de uma experiência auto-reflexiva.Os trabalhos de Aleksander Vasilkov retomam de algum modo, a visão de um grande cineasta russo Andrei Tarkovsky. Filmes como "Andrei Rublev", "Solaris", "Espelho", Stalker" e "Nostalgia", são referências importantes. Essencialmente a teoria de cinema desenvolvida por Tarkovsky e recuperada por Vasilkov. "Esculpindo o tempo" significa que a única característica do cinema como médium é conduzir a nossa experiência de tempo e alterá-la. Minimizando a edição, transcrevia o tempo como "tempo real". O objectivo era dar ao público a sensação do tempo a passar, tempo perdido e a relação de um momento em tempo com o outro. Vasilkov busca imagens de extrema beleza, recorrendo a motivos como o sonho e a memória.

 

22.01.09
O "voyeurismo" como projecto. (...)

Nuno Cunha in NS´Diário de Notícias


22.01.09 Soraya Vasconcelos
CC-H1. Forno de destilação atmosférica. 
Petrogal, Refinaria de Sines. 2008

Animação de fotografias de um forno de destilação ambiental da Petrogal, visto por uma vigia circular com cerca de 25cm. Esse é uma enorme estrutura com uma temperatura de cerca de 1200ºC. Este é um documento desse fogo contido, esmagador e hipnótico, onde matéria furiosamente se transforma.


22.01.09 Budd Dwyer (1939 | 1987)
No início do ano de 1987, um dia antes da sentença final, Budd Dwyer convocou uma conferência de imprensa para fazer um update de toda a situação em que estava envolvido. Na conferência reafirmou a sua inocência e perante o olhar estupefacto do público retirou de um saco uma magnum 357. Após dizer às pessoas para se retirarem da sala, colocou a arma na boca e disparou.

"Eu agradeço a Deus por ter me dado este 47 anos de desafios excitantes, experiências estimulantes, muitas ocasiões felizes, e acima de tudo, a minha mulher e os meus miúdos que qualquer homem pode desejar. Agora a minha vida mudou, por nenhuma razão aparente. As pessoas que telefonam e escrevem estão desesperadas. Eles sabem que estou inocente e querem ajudar-me. Mas esta nação, a maior democracia do mundo, não pode fazer nada para me proteger de um crime que eles sabem que eu não cometi.(…) Eu sou uma vítima de perseguição politica, (…) Eu peço aqueles que acreditam em mim para continuar o seu apoio e amizade, bem como rezar pela minha família, e trabalhar para a criação do um sistema justo nos Estados Unidos, (…) e não ficarem parados pela injustiça perpetuada contra mim próprio."

 

22.01.09 Teresa Cavalheiro
WINDOWS  

Duas projecções de paisagens observadas de duas janelas distintas. 
Um vídeo de uma viagem filmado com uma máquina fotográfica da vista de uma janela de uma carrinha em movimento.

Local: São Tomé e Príncipe

Data: 2008

Um vídeo realizado a partir de fotografias da vista de uma janela de um 4º andar de um prédio.
Local: Paço de Arcos

Data: 2000 - 2008
 


22.01.09 Hugo Barata
«PODIA TER SIDO DIFERENTE... » 
«Nesta invasão da intimidade dos outros, encontramos a função da vergonha no seu estado mais puro»

Slavoj Zizek, Lacrimae Rerum

Esta proposta explora conceitos de "real" e "ficcional", "realidade"vs"ficção", partindo de um conceito do filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek, na esteira de uma linguagem proto-cinematográfica, mas não sendo esta última o seu factor de impulsionamento exegético e primordial, antes um factor que procura desencadear reflexões acerca da natureza subliminal da questão psiquiátrica. Com o passar dos séculos, a doença mental tornou-se um foco de interesse, que resultou em extensivas análises científicas e, digamos, escolares, assim como uma atenção mediática desde que a contemporaneidade assistiu à desenvoltura da televisão e dos mass media. Anteriormente ao século XIX, a doença mental estava associada ao domínio do sagrado, um significante de forças misteriosas e metafísicas em jogo, mas com o advento das ciências modernas, a dialéctica entre a "razão" e a "mente insana" tornou emergente um novo paradigma de exclusão. A era do asilo psiquiátrico advogava a institucionalização e segregação do doente mental. Michel Foucault caracteriza estas instituições como "ortopedias sociais", referindo Jeremy Bentham, autor que desenvolveu o conceito de «panóptico» por volta do final do século XVIII, um sistema de vigilância e controle efectivado por uma arquitectura eminentemente circular, de celas vigiadas permanentemente. Recentemente com a procura da "des-institucionalização" da saúde mental, muitos destes hospitais e consequentes alas, foram encerrados. Nesta exposição, a dicotomia entre o espaço "instituição" e o espaço "doméstico/social" coexiste mas não se cristaliza nesta faceta, antes prefigura-se na senda da proposta de Zizek de que o "Real" não é apenas aquilo que se opõe ao imaginário, mas também aquilo que se coloca para lá do "Simbólico"; ou seja, sendo o "simbólico" uma estrutura de significantes diferenciados, organizadores da nossa realidade aparente (a "realidade real"), o "Real" é, ele próprio, indiferenciado, exterior à linguagem, logo impossível de integrar e de conceptualizar.

O local, o "site", Voyeurprojectview, como espaço físico de um posicionamento de objectos e corpos de trabalho, caracterizado por uma arquitectura muito peculiar e pela disposição das salas que o compõem, é responsável pelo despoletar da intervenção. Partindo do universo hitchcockiano que em Psico se debruça na assepsia pós-crime, e onde a sala de banho tem em si mesmo um carácter auto-significante, interligam-se dois momentos distintos: o momento em que em 1913 Malevich pinta Black Square (e a sua relação com o Minimalismo) e a visão da loiça do WC como "ecrã negro", lugar da representação inatingível.