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MIGUELANGELO VEIGA
03.05.07/02.06.07


O Homem do Capuz | The man with the wood
Instalação-Vídeo, 2007



O Homem do Capuz | The man with the wood
Instalação-Vídeo, 2007



O Homem do Capuz | The man with the wood
Instalação-Vídeo, 2007



O Homem do Capuz | The man with the wood
Instalação-Vídeo, 2007




O prazer de te ver é tanto maior como o poder que exerço sobre ti.
LOVE/EVOL.
 
 
O foco deste trabalho não reside exclusivamente na forma pictográfica, mas também na própria instalação e no mecanismo que a acciona.
Em relação à imagem, as referências desta cruzam diferentes espaços de acção, que vão desde O Homem Elefante de David Lynch, até às imagens recentes dos prisioneiros em Abu Ghraib , filmados por soldados americanos. O capuz é o denominador comum nestas referências. N’O Homem Elefante este elemento, apesar de lhe ocultar a identidade, enquanto ser individual, atribui-lhe uma nova identidade, uma identidade social, que não depende da primeira para funcionar.
O capuz não o torna invisível mas sim irreconhecível. Um orifício permite-lhe observar e identificar os que o rodeiam, por isso, esse capuz nunca elimina radicalmente a identidade dos intervenientes da acção. Esta ocultação da identidade acaba por actuar de um modo diametralmente oposto àquele que o faz esconder-se, tornando-o inevitavelmente um elemento de atracção visual. O mundo dele esconde-se por detrás daquele capuz como o mundo do voyeur se esconde por detrás da cortina que o separa do objecto/elemento que observa. Neste sentido, o capuz pode ser considerado, principalmente, um objecto de protecção que transforma identidades próprias participantes em identidades abstractas, para além de um símbolo de vergonha ou elemento de conotação sexual. Em relação ao prisioneiro de Abu Ghraib, este elemento comum transfere a ocultação da identidade para aqueles que são invisíveis, ou seja, para os agressores, tornando-os irreconhecíveis.
Ambos os casos, denunciam a desumanização do que é observado, ou seja, o momento em que o eu colectivo e predominante (observador) transforma o outro (observado) num objecto visual, desprovendo-o completamente da sua humanidade.
 
 
Lisboa, 2007
 
 

AGRADECIMENTOS
Maumaus | Lúcia Marques