Voyeur          
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JULIÃO SARMENTO
17.01.08/17.02.08


Voyeur
Installation View, 2008





Voyeurismo ou o prazer de se ser espectador
 
Tomemos como verdade a possibilidade de todo o acto de ver encerrar em si, necessariamente, um acto voyeur, na medida em que entendemos aqui o acto de ver como diferente do acto de olhar. Vemos o que nos interessa, o que nos inquieta, o que nos desafia, basicamente o que queremos ver, ou melhor, o que desejamos.
Neste encontro entre o sujeito que vê e o objecto que é visto está necessariamente implicada uma relação de poder (difícil de atribuir ou identificar, uma vez que o prazer/ poder do sujeito que vê, depende intrinsecamente do poder inerente ao objecto desejado).
Quando no número 14 - A, da Rua de Timor em Lisboa, somos convidados a ver, à vez e individualmente, uma determinada obra de arte através de um peephole, somos justamente convidados a assumir essa nossa condição de voyeurs.
Tomemos agora também como verdade a possibilidade de podermos encerrar em nós nesse momento, e simultaneamente, uma dupla condição à qual associamos imediatamente um duplo poder: sujeito que deseja e simultaneamente objecto de desejo.
No mesmo momento, e pelos restantes espectadores que aguardam a possibilidade de poderem assumir o seu papel de voyeurs, somos vistos a ver.
O vídeo Voyeur decorre durante aproximadamente 14 minutos. Nele assistimos à convocação dessa ideia de circularidade implicada na dupla condição de se ser, por um lado voyeur e por outro objecto, reforçada aqui pela presença de uma realidade aparentemente linear de onde surgem, à vez, curtos momentos em que a escolha do ponto de vista (uns binóculos por detrás de uma janela) e as constantes aproximações e recuos em relação ao objecto, convocam a nossa memória cinematográfica, e nos colocam obrigatoriamente no interior da obra, tornando-nos, por isso, espectadores duplamente voyeurs.
 
 
Ana Anacleto
Novembro 2007